O despreparo para a perda

Hugo P. Dionisi – Psicografia ditada pelos “Amigos de Altamiro”
[Hugo P. Dionisi] hugopdionisi@gmail.com

            A humanidade, atualmente, vive como se estivesse anestesiada. Sofremos pelos assuntos mais triviais e evitamos as reflexões de ordem mais profundas. Contas a pagar, desordens financeiras, problemas nos relacionamentos, males na saúde, flutuações de temperatura, eventos desportivos e outras incontáveis distrações fazem com que ignoremos aquilo que realmente tem relevância: a nossa paz interior. Vivemos constantemente com uma angústia no peito que nos impede de conectar com nós mesmos.

            É necessário parar.

            É necessário respirar…

            É necessário refletir…

            Quando perdemos algo que nos é muito caro, ou nos despedimos de alguém querido, desabamos. Desabamos porque junto desmoronam nossas crenças. É o exato momento que realizamos ter dado pouca importância ao que realmente tem valor. E o tempo, implacável, não volta atrás.

            Façamos, pois, uma reflexão profunda. Como estamos guiando nossas vidas, através dos impulsos ou dos sentimentos? Os impulsos nos conectam ao que é efêmero, enquanto os sentimentos, ao eterno.

            Vivamos, pois, com o peito cheio de luz para afastar as sombras da nossa mente. Com a chama do eterno acesa vem a certeza de que todas as angústias cessarão brevemente. Cada perda nos religa ao nosso ser. Deixamos cair as densas camadas que nos prendem, e vamos pouco a pouco nos libertando.           

A perda não é adeus, é reconexão ao nível mais puro do sentimento. 

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