A guerra silenciosa
[Carlos Eduardo Cavalini] carloseduardo.cavalini@hotmail.com
________________________________________________________________
Antigamente, há centenas de anos, as guerras entre os povos eram bastante comuns e o homem conseguia liberar suas angustias com mais facilidade. Externalizar os sentimentos não era tão complicado, bastava apenas ir a um campo de batalha, gritar e lutar contra o inimigo. O homem ia para o campo de batalha com o peito aberto, preparado para enfrentar o inimigo e a morte. Sim, eram tempos de barbárie. Mas havia algo naquela época que não conseguimos mais identificar nos dias de hoje: o espírito de guerreiro. O homem perdeu seu espírito de guerreiro. Não estou dizendo que deveríamos voltar a guerrear uns com os outros, que as guerras e as batalhas daqueles tempos eram benéficas para a humanidade, longe disso. O que quero enfatizar é o espírito de guerreiro que foi perdido.
As guerras de antigamente continuam nos dias de hoje, entretanto, estão estrategicamente disfarçadas. Há uma guerra silenciosa sendo travada e o homem ainda não se deu conta, por isso segue com ela, sem questioná-la. O mundo capitalista em que vivemos é uma guerra sem fim. Homens de terno e gravata se enfrentam diariamente, numa pauta de negócios, numa sala de reunião, na frente dos computadores. Os operários das indústrias lutam com suas máquinas. Os comerciantes aperfeiçoam suas lábias e guerreiam uns com os outros. Mas em pouquíssimos homens conseguimos perceber aquele singular brilho nos olhos, existente nos homens de antigamente. É o espírito de guerreiro que não está mais presente. O homem não segue mais com o peito aberto, agora está mais apreensivo, mais preocupado, mais estressado com os afazeres do dia a dia. Segue cambaleando, empurrando o que consegue empurrar. Sente-se perdido e sem vontade de lutar, pois a luta para ele não tem sentido.
É uma guerra silenciosa, imposta, que o homem não se dá conta. Em tempos antigos foi capaz de fazer questionamentos, pois eram evidentes as injustiças sociais, as guerras, a fome e a miséria. A imposição vinda por meio das religiões ou de grupos em posição privilegiada não deixava dúvidas quanto às grandes injustiças a que muitos estavam submetidos. Então, a humanidade foi avançando e leis mais brandas foram sendo criadas, para satisfazer os mais revoltados, deixando-os mais tranquilos. O capitalismo veio para legalizar as injustiças e amansar aqueles que não estavam satisfeitos com a imposição. Agora, o que poderão fazer, se está tudo legalizado, a não ser se conformarem com a situação?
Mas a imposição continua. Nos meios de comunicações, nos bancos, nas grandes indústrias, na política, em qualquer área que se possa imaginar, há uma ação planejada, com o intuito de perpetuar o poderio de alguns grupos privilegiados sobre o planeta. É uma ação silenciosa e fria que o homem não é capaz de perceber, pois perdeu seu espírito de guerreiro. Mas não só isso. O homem não sabe criar seu próprio campo de batalha, por isso acaba se apropriando daquilo que lhe é sugerido. Apropria-se de uma luta que não é sua e vai para um campo de batalha que não é seu. Sua natureza divina foi esquecida e não sabe mais caminhar sozinho, é necessário seguir o fluxo que lhe foi sugerido.
Mas isso pode acabar nesse instante. O homem pode recuperar o seu espírito de guerreiro se passar a seguir suas inclinações internas, se for capaz de ir ao encontro de suas tendências naturais, seus verdadeiros anseios e intenções. Se puder caminhar junto ao seu desejo mais íntimo, aquilo que certamente o fará se sentir bem, mais determinado, mais apaixonado pela vida, mais feliz, sem ansiedade e sem expectativas, sem a necessidade de qualquer resultado, com total entrega, isso manterá sua energia no momento presente, criando uma frequência vibratória específica e, consequentemente, um campo de batalha autêntico, que o fará seguir com sua vida por um caminho de menor resistência.

