Cansado, estou tão cansado!
[Flávio Rolim] frolim.goeasy@gmail.com
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Cansado de estar tão cansado, de não ter perspectiva, me arvoro em pensar em alguma coisa que me venha, para deixar de lado esse cansaço que me domina!
Aguço o meu olhar de dentro buscando alguma coisa que valha a pena, pois as coisas de fora já não me deleitam e nem me trazem novidade. São tão estáticas, as mesmas de sempre! Preciso do que me mova e me faça ir além do que já sei, do que já sou.
Penso e nada me vem a não ser a incongruência dos meus pensamentos que não se fixam e derivam para fora de mim sem eu saber para onde vão e por onde andarão. Aquieto-me e volto ao meu cansaço que pelo menos me dá a oportunidade de não pensar e nesse meu cansaço espero a hora de pensar em nada!
Em mim não é o tempo que passa, sou eu que passo sem perceber o tempo que me serviria de referência das coisas que poderia ter feito e das coisas que poderia fazer. E nessa duração inútil de mim mesmo, não sorvo o néctar da vida que propicia o doce gosto das boas realizações, o gosto ácido de se lançar e experimentar e saber o que é fazer, o que é sentir! Sei que se não tento, nunca saberei! Isso pelo menos eu sei … mas o que tentar?! Manietado pela ausência de vontade sucumbo a uma duração sem propósito, sem sentido, que me lança num torvelinho que está dentro de mim, e me perco num labirinto que eu mesmo criei. Deveria abrir portas, das quais não tenho mais as chaves e mesmo que as tivesse recuaria, por não saber o que além das portas abertas iria encontrar.
Nos pequenos intervalos desse pensar cansado, vislumbro ao longe lampejos de tíbias luzes, mas que se apagam na minha intenção de alcançá-las. Espero! Como sempre fiz!
E nesse entorpecimento de mim mesmo sinto uma outra vontade que se impõe, ainda sutilmente, me alertando para a necessidade do movimento!
Que vontade é essa? Que necessidade é essa? Alguma coisa se move dentro de mim, que não sei exatamente o que seja, mas move-me. Talvez a necessidade de espreguiçar e alongar o que não é fibra para não atrofiar o que está além das fibras. A natureza, que é de tudo e de todos, pede ação e a reação deve ser essa: mo-vi-men-tar-se!
Movimento-me mesmo não sabendo ainda que rumo dar ao que não é fibra! O prenuncio da falência total do que não é fibra exige ação e aos poucos, como que direcionado por uma força invisível que não quer me perder, auxilia-me um aconselhamento a divisar horizontes outros além do meu cansaço, dizendo-me até com certa veemência: mova-se!
Movo-me, esperando ainda o auxílio dessa força que me faça mais movimento, pois ainda, titubeante, não sei dar os passos necessários, para sair desse torvelinho de dentro de mim, para sair desse labirinto que eu mesmo criei. Movo-me, tentando abrir as portas, das quais não tenho mais as chaves, mas movo-me e essa força invisível, que não sei onde nasce e nem de onde vem, lança-me no espaço de mim mesmo, para que eu me reconheça, vendo de cima o que sou, no que me tornei, para fazer diferente, ou fazer, o que eu nunca fiz.
Alça-me força invisível e lança-me para fora de mim mesmo, até que eu reconheça a vontade imperiosa de ser mais do que sempre fui e seja, não o que querem que eu seja, mas o que eu preciso ser!
Ó força invisível, diga-me o teu nome, para que eu possa reverenciar-te, pois já me sinto.
E suspenso no ar, num átimo desse tempo, que agora sinto passar, espero pela resposta dessa força invisível e ela responde: “Eu sou a tua consciência!”

