{"id":1051,"date":"2021-03-02T15:23:27","date_gmt":"2021-03-02T18:23:27","guid":{"rendered":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/?p=1051"},"modified":"2021-03-02T15:32:18","modified_gmt":"2021-03-02T18:32:18","slug":"deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/2021\/03\/02\/deus\/","title":{"rendered":"Deus"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:22px\">[Simone Biaseto de Oliveira] monibiaseto@gmail.com<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>\u201cDeus \u00e9 a Intelig\u00eancia suprema, causa primeira de todas as coisas.\u201d<\/em> [1]<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Dizem que quando Einstein foi questionado sobre sua f\u00e9 em Deus, respondeu que acreditava em Deus segundo Spinoza. H\u00e1 um texto bel\u00edssimo atribu\u00eddo a Baruch Spinoza que expressa de forma po\u00e9tica um conceito diferenciado de Deus, ainda mais para a \u00e9poca, em pleno s\u00e9culo XVII que, na minha humilde opini\u00e3o, apresenta similaridades com a nossa Doutrina Esp\u00edrita.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Spinoza (1632- 1677) foi um fil\u00f3sofo holand\u00eas que escreveu diversos livros, dentre eles <em>\u00c9tica, <\/em>onde usando de proposi\u00e7\u00f5es procura argumentar sua vis\u00e3o diferenciada da igreja da \u00e9poca a respeito de Deus. Foi excomungado por suas ideias de um Deus despersonalizado, incriado, causa primeira de todas as coisas, que n\u00e3o castiga (pois n\u00e3o \u00e9 vingativo), n\u00e3o culpa (pois n\u00e3o \u00e9 inquisitivo), n\u00e3o precisa perdoar (pois n\u00e3o se ofende), n\u00e3o precisa ser temido (pois n\u00e3o \u00e9 mau), nem idolatrado (pois n\u00e3o \u00e9 eg\u00f3latra), mas um Deus que precisa ser sentido acima de tudo, um Deus que encontra-se em comunh\u00e3o com a natureza e com todas as suas cria\u00e7\u00f5es, incluindo a humanidade. Buscou a espiritualidade racionalista, ou seja, que devemos buscar uma interpreta\u00e7\u00e3o racional da B\u00edblia e n\u00e3o a dogm\u00e1tica. Via a religi\u00e3o como um alimento do medo, com a finalidade de obedi\u00eancia dos fi\u00e9is \u00e0s autoridades religiosas. Defendia que as pessoas comuns associavam Deus com fen\u00f4menos extraordin\u00e1rios, sendo que os fen\u00f4menos naturais di\u00e1rios demonstram por si s\u00f3 a magnitude Divina, o milagre cotidiano da exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Nesse singelo resumo, pontuamos algumas afinidades da filosofia de Spinoza com a da Doutrina Esp\u00edrita. Abro um par\u00eantese aqui, para esclarecer que o espiritismo, al\u00e9m de filosofia, \u00e9 tamb\u00e9m religi\u00e3o e ci\u00eancia. Por\u00e9m destaco, uma religi\u00e3o que tem por fim ajudar-nos a estreitar os la\u00e7os com Deus, por meio de uma f\u00e9 raciocinada, aqui j\u00e1 uma primeira similaridade. Uma religi\u00e3o que n\u00e3o alimenta o medo, nem busca obedi\u00eancia, nem possui autoridades para serem referenciadas. Uma doutrina que procura com argumentos pertinazes demonstrar que Deus n\u00e3o \u00e9 um senhor barbudo que mora nas nuvens do c\u00e9u, Ele est\u00e1 nos astros, nas cachoeiras, nas montanhas, nos rios, na brisa da manh\u00e3, nas flores, nas \u00e1rvores, no canto dos p\u00e1ssaros, no meu animalzinho de estima\u00e7\u00e3o, no meu marido ou esposa, nos filhos, nos pais, nos amigos, no sorriso sincero, na m\u00e3o que se estende para auxiliar, no abra\u00e7o carinhoso, na gentileza, no cora\u00e7\u00e3o apaixonado, em cada um de n\u00f3s&#8230; Deus n\u00e3o nos julga, nem castiga ou perdoa (pois n\u00e3o se ofende, enfatizando), nem tampouco se compraz em ser idolatrado. Ele nos ama! Ama e ama. Um amor de tamanha profundidade e propor\u00e7\u00e3o inimagin\u00e1vel para n\u00f3s, seres com longo caminho a percorrer rumo a evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Deus \u00e9 causa primeira de todas as coisas, como definiram os Esp\u00edritos. Pois todo efeito tem uma causa e essa causa \u00e9 inteligente. Como disse Kardec, em <em>A G\u00eanese<\/em>, basta um olhar atento \u00e0 natureza para constatarmos a grande harmonia que preside a tudo e a magn\u00edfica intelig\u00eancia que a criou. Essa causa inteligente n\u00e3o precisa ser vista para estar provada sua exist\u00eancia, diz ele, assim como ningu\u00e9m duvida da exist\u00eancia de um relojoeiro quando v\u00ea um rel\u00f3gio de p\u00eandulo funcionando, nem duvida da intelig\u00eancia do profissional que criou a m\u00e1quina. Nem afirma: \u201cEis um rel\u00f3gio bem inteligente\u201d. Ou seja, at\u00e9 hoje ainda h\u00e1 d\u00favidas a respeito da origem da vida no nosso planeta, cientificamente falando. Houve o Big Bang? Como se agregaram as primeiras mol\u00e9culas? Quais foram os primeiros seres vivos?&nbsp; Quais foram os processos qu\u00edmicos que deram origem \u00e0 mat\u00e9ria? Independente da resposta dessas quest\u00f5es, n\u00e3o resta a menor d\u00favida do art\u00edfice supremo de tudo isso: Deus.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Finalizo, caro leitor(a) com trecho do texto antes mencionado, de Spinoza:<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>\u201c(&#8230;)<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>P\u00e1ra de ter tanto medo de mim. Eu n\u00e3o te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>P\u00e1ra de me pedir perd\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nada a perdoar. Se Eu te fiz\u2026 Eu te enchi de paix\u00f5es, de limita\u00e7\u00f5es, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoer\u00eancias, de livre-arb\u00edtrio.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>(&#8230;)<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>N\u00e3o h\u00e1 pr\u00eamios nem castigos. N\u00e3o h\u00e1 pecados nem virtudes. Ningu\u00e9m leva um placar. Ningu\u00e9m leva um registro. Tu \u00e9s absolutamente livre para fazer da tua vida um c\u00e9u ou um inferno.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>N\u00e3o te poderia dizer se h\u00e1 algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>Vive como se n\u00e3o o houvesse.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>Como se esta fosse tua \u00fanica oportunidade de aproveitar, de amar, de existir.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>(&#8230;)<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>P\u00e1ra de crer em mim \u2013 crer \u00e9 supor, adivinhar, imaginar.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>Eu n\u00e3o quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>(&#8230;)<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>N\u00e3o me procures fora!<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>N\u00e3o me achar\u00e1s.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>Procura-me dentro\u2026 a\u00ed \u00e9 que estou, batendo em ti.\u201d<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">[1] Kardec, Allan. <strong>O Livro dos Esp\u00edritos<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o: Salvador Gentile. 123\u00aa ed. Araras: IDE, 1974, pg. 45.<\/p>\n\n\n\n<p>_________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:22px\">Simone Biaseto de Oliveira. Advogada. Articulista e professora de Doutrina Esp\u00edrita, no Recanto de Luz Irm\u00e3 Scheilla. Colabora com a Folha Esp\u00edrita Cairbar Schutel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[Simone Biaseto de Oliveira] monibiaseto@gmail.com \u201cDeus \u00e9 a Intelig\u00eancia suprema, causa primeira de todas as coisas.\u201d [1] Dizem que quando<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1054,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27,6],"tags":[],"class_list":["post-1051","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1051"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1051\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1053,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1051\/revisions\/1053"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1054"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}