{"id":1594,"date":"2022-01-23T16:46:27","date_gmt":"2022-01-23T19:46:27","guid":{"rendered":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/?p=1594"},"modified":"2022-01-23T16:51:11","modified_gmt":"2022-01-23T19:51:11","slug":"reconhecer-as-falhas-e-os-erros-do-nosso-proximo-e-uma-virtude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/2022\/01\/23\/reconhecer-as-falhas-e-os-erros-do-nosso-proximo-e-uma-virtude\/","title":{"rendered":"Reconhecer as falhas e os erros do nosso pr\u00f3ximo \u00e9 uma virtude?"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:22px\">[Fabio Dionisi] <a href=\"mailto:fabiodionisi@terra.com.br\">fabiodionisi@terra.com.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Iniciado no Espiritismo em 1988, a exemplo do que acontece com muitos ne\u00f3fitos, comecei a absorver celeremente esta Doutrina t\u00e3o fascinante, t\u00e3o esclarecedora; mas, igualmente, t\u00e3o demandante por uma mudan\u00e7a interior.<br>As reflex\u00f5es, que a Doutrina me \u201cobrigou\u201d a fazer, expuseram, de forma gradativa e crescente, todas aquelas facetas que, da minha personalidade, n\u00e3o mais coadunavam com os princ\u00edpios morais a serem seguidos por um verdadeiro Crist\u00e3o. Minha \u201ccaixa de Pandora\u201d havia sido aberta! Os primeiros fantasmas come\u00e7aram a sair\u2026<br>Caro leitor, contudo preciso confessar que continuo em busca desta transforma\u00e7\u00e3o\u2026 Quando muito posso afirmar que sou, e espero que n\u00e3o seja apenas produto do meu orgulho, um \u201ccandidato a Crist\u00e3o\u201d.<br>Bem, iniciemos o assunto. Perdoem-me; creio que minhas leituras, a respeito de Santo Agostinho, levaram-me a um esbo\u00e7o, bem prim\u00e1rio, das minhas pr\u00f3prias confiss\u00f5es\u2026<br>Um dos primeiros obst\u00e1culos, com que me deparei, foi a quest\u00e3o do julgamento que fazemos do outro. Seria um erro enxergar seus defeitos? N\u00e3o o estaria julgando, falhando com Deus, para com meu pr\u00f3ximo e para comigo mesmo?<br>Na \u00e9poca, busquei a resposta nos Evangelhos; por\u00e9m, mais tarde constatei que a solu\u00e7\u00e3o encontrada era parcial.<br>\u201cPor que v\u00eas o cisco no olho do teu irm\u00e3o, e n\u00e3o percebes a viga no teu olho? Ou, como dir\u00e1s ao teu irm\u00e3o: Deixa que eu retire o cisco do teu olho. E, eis a viga no teu olho. Hip\u00f3crita! Retira primeiramente a viga do teu olho, e ent\u00e3o ver\u00e1s {em profundidade} para retirar o cisco do olho do teu irm\u00e3o\u201d. (Mt, 7:3-5)<br>\u201cN\u00e3o julgueis para que n\u00e3o sejais julgados, pois com o ju\u00edzo com que julgais sereis julgados, e com a medida com que medis sereis medidos\u201d. (Mt, 7:1-2)<br>Como autodefesa, para n\u00e3o errar, por puro perfeccionismo, e n\u00e3o por buscar realmente a perfei\u00e7\u00e3o, literalmente \u201ctapei\u201d minha vis\u00e3o. Era prefer\u00edvel n\u00e3o enxergar nada, em ningu\u00e9m, a cometer a falta de julgar o pr\u00f3ximo\u2026 Afinal de contas, eu j\u00e1 conseguia ver algumas das traves que me cegavam; bem como, na \u00e9poca, erroneamente, preocupava-me com o julgamento de Deus\u2026<br>Ledo engano\u2026 Posteriormente percebi que n\u00e3o havia compreendido nada! N\u00e3o tinha lido ainda o suficiente, e nem feito \u00e0s conex\u00f5es necess\u00e1rias para poder atingir a resposta correta.<br>Vejamos o que tais leituras posteriores, aliadas a experi\u00eancia que a vida me proporcionou, me ensinaram.<br>Boa parte do nosso aprendizado \u00e9 realizado atrav\u00e9s dos sentidos. Aprendemos observando (n\u00e3o apenas vendo), ouvindo (n\u00e3o apenas escutando), o que est\u00e1 no exterior. Num processo de fora para dentro.<br>Tiramos nossas li\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e julgamento da informa\u00e7\u00e3o que recebemos. Haja vista a crian\u00e7a, cujo car\u00e1ter, cren\u00e7as e valores s\u00e3o influenciados pelos pais; principalmente nas duas primeiras fases de sua inf\u00e2ncia.<br>Poder\u00edamos objetar que muita coisa j\u00e1 est\u00e1 depositada em n\u00f3s, desde a nossa cria\u00e7\u00e3o. De fato, mas mesmo assim, queridos, aprendi que \u00e9 algo externo que \u201cativa\u201d o acesso aos nossos registros; portanto, tamb\u00e9m, de fora para dentro\u2026<br>A vontade de mudar, e a pr\u00f3pria transforma\u00e7\u00e3o, \u00e9, sem d\u00favida, um processo de dentro para fora, mas o aprendizado, em si, inicia-se com a obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, do exterior para o interior.<br>O sucesso de Pestalozzi, um dos maiores educadores que j\u00e1 pisaram neste orbe, n\u00e3o foi devido exatamente porque conseguia levar seus alunos ao auto-aprendizado, atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e julgamento do fato observado?<br>Exposto desta forma, n\u00e3o parece coerente? Mas, na \u00e9poca, n\u00e3o o foi\u2026<br>Como tudo evolui, evolu\u00ed. Compreendi que meu erro fora ter deixado que a letra matasse e o esp\u00edrito n\u00e3o vivificasse o verdadeiro significado de algumas passagens do Evangelho. E, se tivesse lido o cap\u00edtulo X do Evangelho Segundo o Espiritismo, com aten\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m teria chegado \u00e0 resposta.<br>Mas como iniciei pelo Evangelho, pelo Evangelho terminarei\u2026<br>A passagem de Jo\u00e3o sobre a mulher apanhada em adult\u00e9rio tamb\u00e9m me daria \u00e0 chave: \u201c(\u2026) Mestre, esta mulher foi apanhada, em flagrante, adulterando. Na Lei, nos ordenou Mois\u00e9s serem apedrejadas tais {mulheres}. Portanto, que diz tu? (\u2026) Mas como continuavam a interrog\u00e1-lo, (\u2026) lhes disse: Quem dentre v\u00f3s estiver sem pecado atire sobre ela a primeira pedra. (\u2026) Os que tinham ouvido sa\u00edam um por um, come\u00e7ando pelos mais velhos. (\u2026) Jesus disse a ela: Mulher, onde est\u00e3o? Ningu\u00e9m te condenou? Disse ela: Ningu\u00e9m, Senhor! Disse Jesus: Nem eu te condeno. Vai, e a partir de agora n\u00e3o peques mais.\u201d (Jo, 8:3-11)<br>Comecemos exatamente por esta \u00faltima frase: \u201cNem eu te condeno. Vai, e a partir de agora n\u00e3o peques mais\u201d.<br>Percebam que Jesus n\u00e3o condenou a \u201cpecadora\u201d (nem eu te condeno), e, sim, o \u201cpecado\u201d (n\u00e3o peques mais).<br>Podemos concluir, pois, que \u00e9 licito emitir ju\u00edzo sobre o fato observado, mas n\u00e3o podemos julgar \u2013 no sentido de condenar &#8211; o agente gerador, o indiv\u00edduo.<br>Neste ponto, s\u00f3 para n\u00e3o deixar passar em branco um coment\u00e1rio que fiz h\u00e1 pouco, permito-me fazer mais uma pequena digress\u00e3o: \u201cE, al\u00e9m disso, nem devia me preocupar com o julgamento de Deus, pois hoje sei que \u00e9 a minha consci\u00eancia que me julga e n\u00e3o o Pai\u201d.<br>Era s\u00f3 uma quest\u00e3o de encontrar as pe\u00e7as, e corretamente encaixar no quebra-cabe\u00e7a\u2026<br>E, j\u00e1 que estamos aqui, podemos nos dar ao luxo de seguir mais adiante; al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o inicial, quando vos fiz a minha pequena confiss\u00e3o\u2026 Pois, talvez, meus coment\u00e1rios tenham gerado algumas perguntas, tais como: Fabio, at\u00e9 aqui o foco foi sobre o aprendizado da pessoa que observa, mas, o que fazer com o que erra? N\u00e3o podemos ajud\u00e1-lo tamb\u00e9m? N\u00e3o seria oportuno corrigi-lo, para que possa usufruir das vantagens do nosso ju\u00edzo sobre sua conduta?<br>Respondendo, inicialmente eu me questionaria: tenho certeza de que ele est\u00e1 errado? Tenho todas as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para emitir um parecer conclusivo?<br>Perguntas dif\u00edceis de responder\u2026 N\u00e3o concordam comigo?<br>Mas, admitamos que sim. Ent\u00e3o, prosseguindo, com Kardec (ESE) ,para refletirmos juntos sobre estas quest\u00f5es: \u201cO reproche [repreens\u00e3o] lan\u00e7ado \u00e0 conduta de outrem pode obedecer a dois m\u00f3veis: reprimir o mal, ou desacreditar a pessoa cujos atos se criticam. N\u00e3o tem escusa nunca este \u00faltimo prop\u00f3sito, porquanto, no caso, ent\u00e3o, s\u00f3 h\u00e1 maledic\u00eancia e maldade. O primeiro pode ser louv\u00e1vel e constitui mesmo, em certas ocasi\u00f5es, um dever, porque um bem dever\u00e1 da\u00ed resultar, e porque, a n\u00e3o ser assim, jamais, na sociedade, se reprimiria o mal. N\u00e3o cumpre, ali\u00e1s, ao homem auxiliar o progresso do seu semelhante? Importa, pois, n\u00e3o se tome em sentido absoluto este princ\u00edpio: N\u00e3o julgueis se n\u00e3o quiserdes ser julgado, porquanto a letra mata e o esp\u00edrito vivifica. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que Jesus haja proibido se profligue [reprove] o mal, uma vez que ele pr\u00f3prio nos deu o exemplo, tendo-o feito (\u2026). O que quis significar \u00e9 que a autoridade para censurar est\u00e1 na raz\u00e3o direta da autoridade moral daquele que censura\u201d.<br>Portanto, a resposta \u00e9 \u201csim\u201d; desde que tenhamos esta autoridade moral\u2026 E, desde que seja realmente \u00fatil.<br>Dois pontos igualmente importantes: se voc\u00ea o fizer, que o fa\u00e7a porque precise; e, que n\u00e3o esque\u00e7a das oportunas palavras de Jesus: \u201cSe teu irm\u00e3o tiver pecado contra ti, vai argui-lo entre ti e ele somente; se te ouvir, ganhaste teu irm\u00e3o. Mas, se n\u00e3o te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas {pessoas} para que, pela boca de duas ou tr\u00eas testemunhas, seja estabelecida toda a quest\u00e3o. E, se ele se recusar a ouvi-los, dize-o \u00e0 Igreja [assembleia]. Se, tamb\u00e9m, se recusar a ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano. (Mt, 18:15-17)<br>Lembre-se, contudo, de cham\u00e1-lo a parte, onde os outros n\u00e3o possam ouvir. Isso \u00e9 caridade\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[Fabio Dionisi] fabiodionisi@terra.com.br Iniciado no Espiritismo em 1988, a exemplo do que acontece com muitos ne\u00f3fitos, comecei a absorver celeremente<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1596,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27,6],"tags":[],"class_list":["post-1594","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1594"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1594\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1595,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1594\/revisions\/1595"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1596"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}