{"id":1728,"date":"2022-07-08T14:48:52","date_gmt":"2022-07-08T17:48:52","guid":{"rendered":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/?p=1728"},"modified":"2022-07-08T14:52:39","modified_gmt":"2022-07-08T17:52:39","slug":"o-espirita-monteiro-lobato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/2022\/07\/08\/o-espirita-monteiro-lobato\/","title":{"rendered":"O Esp\u00edrita Monteiro Lobato"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:22px\">[Fabio Dionisi] <a href=\"mailto:dutra2507@hotmail.com\">fabiodionisi@terra.com.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>___________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">No \u00faltimo 04 de julho comemorou-se mais um anivers\u00e1rio do desencarne de Jos\u00e9 Bento Monteiro Lobato. Quando, aos 66 anos de idade, dir\u00edamos de forma prematura, transferiu-se da cidade de S\u00e3o Paulo para a p\u00e1tria espiritual, no ano de 1948.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Lobato nasceu em Taubat\u00e9, no dia 18 de abril de 1882; curiosamente, no mesmo dia e m\u00eas da publica\u00e7\u00e3o da primeira vers\u00e3o de <strong>O Livro dos Esp\u00edritos<\/strong>, ocorrida 25 anos antes, em 1857.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Passou sua inf\u00e2ncia nesta cidade, por\u00e9m, ap\u00f3s seus primeiros estudos, na adolesc\u00eancia, mudou para S\u00e3o Paulo, para estudar no Instituto de Ci\u00eancias e Letras e, mais tarde, na Faculdade de Direito, onde se formou no ano de 1904. <strong><sup>1<\/sup><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Em mar\u00e7o de 1908 casou-se com Maria Pureza da Natividade de Souza e Castro, conhecida como D. Purezinha, com quem teve quatro filhos.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Em maio de 1907, com apenas 25 anos de idade, foi nomeado promotor p\u00fablico em Areias, no mesmo ano de seu casamento.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Como autor de livros, como \u00e9 mais conhecido pelo p\u00fablico brasileiro, foi fecundo escritor. Mais reconhecido pelas obras no segmento infantil e juvenil, embora tenha jornadeado, com a mesma maestria, em v\u00e1rios outros g\u00eaneros.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">O que poucos sabem \u00e9 que foi um dos bandeirantes nacionais da \u00e1rea editorial. No ano de 1918, fundou a empresa Monteiro Lobato &amp; Cia., depois Companhia Gr\u00e1fica-Editora Monteiro Lobato. <strong><sup>1<\/sup><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Um tanto pelo pioneirismo, e outro tanto pelos tempos dif\u00edceis, sua editora foi \u00e0 fal\u00eancia em 1924; mas, perseverante, com a venda de sua parte de uma casa de loterias, arrematou o esp\u00f3lio da massa falida de sua pr\u00f3pria editora, fundando uma outra: a Companhia Editora Nacional. <strong><sup>1<\/sup><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Seu primeiro livro, Urup\u00eas, foi editado em 1918, e a partir da\u00ed escreveu dezenas de livros, c\u00e9lebres at\u00e9 os dias de hoje. Contudo, ficou popularmente conhecido pelas suas obras infantis, que constitui, aproximadamente, a metade da sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Entre suas obras para crian\u00e7as, as mais famosas s\u00e3o: Ca\u00e7adas de Pedrinho, O Saci, Reina\u00e7\u00f5es de Narizinho, e o cl\u00e1ssico O Picapau Amarelo. Sucesso que ainda n\u00e3o faz jus \u00e0 sua vasta obra liter\u00e1ria. Tendo escrito dezenas de livros, cobriu muitos g\u00eaneros; entre outros, literatura infantil, juvenil, romance, contos, e, igualmente, sobre temas pol\u00edticos e econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Foi adido comercial do Brasil em Nova Iorque onde se empolgou com o progresso; segundo ele, baseado em petr\u00f3leo, ferro e estradas.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">De regresso, lutou para que este modelo fosse adotado aqui, tanto que empreendeu v\u00e1rias campanhas, chegando a fundar a Companhia Petr\u00f3leo do Brasil (1931).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Foi at\u00e9 preso por Get\u00falio Vargas, em 1941, por discordar da pol\u00edtica adotada por este \u00faltimo, quanto ao petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Mas, nosso objetivo, nestas poucas linhas, n\u00e3o \u00e9 exatamente biograf\u00e1-lo, e sim mencionarmos um fato ainda pouco conhecido na lide Esp\u00edrita.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\"><em>\u201cTodo mundo conheceu Monteiro Lobato sob v\u00e1rios aspectos: o amigo leal e incompar\u00e1vel, o contista primoroso, o ardoroso e c\u00e1ustico polemista, o patriota ferrenho e implac\u00e1vel; mas, sob o prisma espiritualista, poucos, muito poucos o conhecem e at\u00e9 alguns duvidam dessa sua convers\u00e3o ao Espiritualismo\u201d,<\/em> diria a principal revisora dos seus livros, Maria Jos\u00e9, em sua obra <strong>Monteiro Lobato e o Espiritismo: as sess\u00f5es Esp\u00edritas de Monteiro Lobato<\/strong>, publicada em 1971. <strong><sup>2<\/sup><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Curiosamente, o pr\u00f3prio Esp\u00edrito de Monteiro Lobato, atrav\u00e9s do bel\u00edssimo dom medi\u00fanico de Jorge Rizzini, escreveria um pref\u00e1cio p\u00f3stumo para esta obra&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">De fato, ainda hoje, poucos sabem. Ele n\u00e3o apenas se tornou simpatizante do Espiritismo, como, tamb\u00e9m, ass\u00edduo praticante.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Nos \u00faltimos anos de exist\u00eancia, ap\u00f3s convencer-se da imortalidade espiritual do homem e constatar que a comunica\u00e7\u00e3o com os ditos \u201cmortos\u201d era poss\u00edvel, realizou sess\u00f5es entre 1943 e 1945, no Brasil, e, na Argentina, entre 1946 e 1947.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Esta convers\u00e3o deu-se ap\u00f3s receber mensagens de seis amigos, j\u00e1 desencarnados, numa sess\u00e3o alfab\u00e9tica de copinho; isto \u00e9, numa mesa onde se colocavam as pe\u00e7as de um alfabeto na posi\u00e7\u00e3o de uma circunfer\u00eancia e no centro um copo emborcado.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Em seu livro <strong>O Esp\u00edrito e o Tempo<\/strong> <strong><sup>3<\/sup><\/strong>, J. Herculano Pires relata que Monteiro Lobato se dedicou seriamente \u00e0 estas sess\u00f5es; tendo o cuidado de nos deixar descri\u00e7\u00f5es detalhada das mesmas; as quais foram publicadas pela sua amiga e secret\u00e1ria, Maria Jos\u00e9 Sette Ribas, como mencionamos h\u00e1 pouco. Ele tamb\u00e9m registrou que o conhecido escritor e articulista chegou a receber mensagens, usando este m\u00e9todo, de seus dois filhos j\u00e1 desencarnados, e a realizar doutrina\u00e7\u00e3o e esclarecimento de esp\u00edritos moralmente atrasados. <strong><sup>3 (p. 203)<\/sup><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">O processo usado n\u00e3o era dos mais f\u00e1ceis, e, atualmente, \u00e9 praticamente desconhecido; por isso, tomaremos algumas linhas para descrev\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Estas reuni\u00f5es medi\u00fanicas, chamadas de \u201csess\u00f5es alfab\u00e9ticas de copinho\u201d, usavam um c\u00e1lice pequeno, ou um copinho. O mesmo era emborcado sobre uma mesa lisa, e, conforme a prefer\u00eancia, sobre uma folha de cartolina. Ao derredor do c\u00e1lice, na cartolina ou em torno da mesa, distribu\u00eda-se um alfabeto, em forma circular, permanecendo o copinho no centro deste c\u00edrculo. Uma ou mais pessoas colocavam levemente um dedo sobre o copinho e este se movimentava indicando as letras que formariam as palavras e mensagens. A m\u00e9dium era a esposa de Monteiro Lobato, D. Purezinha, cujos olhos permaneciam vendados durante os trabalhos. Um dos participantes recebia a incumb\u00eancia de anotar as letras indicadas pelo Esp\u00edrito comunicante. Consta que o movimento do copinho atingia, geralmente, grande velocidade. As perguntas eram feitas oralmente, de acordo com a disciplina estabelecida pelo grupo. Meticuloso, Lobato fez quest\u00e3o de registrar suas experi\u00eancias em atas, por ele mesmo lavradas.<strong><sup>3 (p. 204)<\/sup><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Descrente de tudo, at\u00e9 os seus 61 anos de idade, no final de 1943, retornando para casa, encontrou sua fam\u00edlia reunida fazendo este exerc\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Embora aquela atividade fosse comum em sua resid\u00eancia, nunca quisera tomar parte; mas, chegara o dia de sua convers\u00e3o&#8230; O gatilho fora uma discuss\u00e3o tremenda com uma amiga, \u00e0 tardinha, na Pra\u00e7a das Bandeiras, em que se irritou defendendo suas ideias materialistas. O estopim da contenda fora exatamente Maria Jos\u00e9 Sette Ribas, a mesma que se tornaria revisora exclusiva dos seus livros, ao ponto de Lobato t\u00ea-la chamada de Rainha da Revis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Mesmo sendo um materialista ferrenho, descrente da imortalidade da alma, e grande admirador do fil\u00f3sofo alem\u00e3o Arthur Schopenhauer, embora \u00e9 mister registrar que tivesse muita ternura por Jesus Cristo, decidiu participar da sess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Tomando um bloco de papel, e um l\u00e1pis, come\u00e7ou a fazer perguntas. Para sua surpresa, o primeiro a se apresentar, para responde-las, foi seu grande amigo, desencarnado h\u00e1 anos, Adalgiso Pereira, considerado um dos grandes na \u00e1rea da gram\u00e1tica brasileira. E, para aumentar a sua surpresa, bem como provar definitivamente a imortalidade da alma, a seguir, vieram outros cinco amigos: Man\u00e9co Lopes (carinhosamente apelidado de vov\u00f4 do jornalismo), Amadeu Amaral, Arthur Neiva (o s\u00e1bio), Martins Fontes (acredita-se que tenha sido ele) e outro cujo nome se perdeu.<strong><sup>2 (p. XXIII)<\/sup><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Infelizmente, a \u00fanica ata perdida foi desta primeira reuni\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">E, da\u00ed, n\u00e3o parou mais com suas reuni\u00f5es, conseguindo at\u00e9 comunicar-se com seus dois filhos homens, que haviam desencarnado muito cedo. Tornara-se como que um hobby, pois, desde que poss\u00edvel, realizava-as todas as noites. <strong><sup>2 (p. XXVI)<\/sup><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Outro benef\u00edcio, haurido com sua convers\u00e3o, foi a resigna\u00e7\u00e3o diante dos in\u00fameros golpes que a vida lhe reservou. De revoltado contumaz, passou a aceita-los serenamente.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Desta forma, aqui deixamos nossas sinceras homenagens \u00e0 Jos\u00e9 Bento Monteiro Lobato; numa singela pincelada sobre este grande brasileiro; mais um a quem o Brasil deve muito&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Fiquem em paz!<\/p>\n\n\n\n<p><strong><sup>______________________________________________________________________________________________<\/sup><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:22px\"><strong><sup>1<\/sup><\/strong> <strong>Nov\u00edssima Enciclop\u00e9dia Delta Larousse.<\/strong> Rio de Janeiro: Editora Delta S.A., 1982. Vol. 4<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:22px\"><strong><sup>2 <\/sup><\/strong>RIBAS, Maria Jos\u00e9 Sette Ribas. <strong>Monteiro Lobato e o Espiritismo: As sess\u00f5es Esp\u00edritas de Monteiro Lobato. <\/strong>1. ed. S\u00e3o Paulo: LAKE, 1972<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:22px\"><strong><sup>3<\/sup><\/strong> PIRES, J. Herculano. <strong>O esp\u00edrito e o tempo. Introdu\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica ao Espiritismo.<\/strong> 8. ed. S\u00e3o Paulo: Paid\u00e9ia, 2003<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[Fabio Dionisi] fabiodionisi@terra.com.br ___________________________________________________________________________ No \u00faltimo 04 de julho comemorou-se mais um anivers\u00e1rio do desencarne de Jos\u00e9 Bento Monteiro Lobato.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1731,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27,6],"tags":[],"class_list":["post-1728","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1728"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1728\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1730,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1728\/revisions\/1730"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1731"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}