{"id":2078,"date":"2023-07-07T14:32:43","date_gmt":"2023-07-07T17:32:43","guid":{"rendered":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/?p=2078"},"modified":"2023-07-07T14:55:10","modified_gmt":"2023-07-07T17:55:10","slug":"jesus-goncalves-a-dificil-redencao-de-alarico-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/2023\/07\/07\/jesus-goncalves-a-dificil-redencao-de-alarico-i\/","title":{"rendered":"J\u00e9sus Gon\u00e7alves. A dif\u00edcil reden\u00e7\u00e3o de Alarico I"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:22px\">[Fabio A. R. Dionisi]<br>fabiodionisi@terra.com.br<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Nosso primeiro contato com J\u00e9sus Gon\u00e7alves ocorreu atrav\u00e9s de estudos sobre a vida de Santo Agostinho.<br>Ao tomarmos conhecimento da forma como Alarico I entrou e saqueou Roma (410 d.C.), sem, contudo, profanar as igrejas crist\u00e3s e nem massacrar quem estivesse nelas refugiado, atendendo, muito a contragosto, o pedido feito por Santo Agostinho dias antes da invas\u00e3o, acabamos nos embrenhando na vida desse visigodo, e descobrindo que ele retornou como Alarico II e Cardeal Richelieu.<br>Posteriormente retornaria mais duas vezes; em ambas padecendo do mal de Hansen. Desconhecemos detalhes da primeira, mas sabemos que na segunda voltou sob a tutela de Santo Agostinho, para continuar purgando os males de sua alma, e de forma a quitar parte das suas d\u00edvidas para com a humanidade.<br>Nascido no dia 12\/07\/1902, em Boreri (SP), desencarnaria em Itu (SP), na data de 16\/02\/1947. Sua transforma\u00e7\u00e3o foi marcante; de ateu convicto, \u00e0 Ap\u00f3stolo de Pirapitingui.<br>Mas, antes de falarmos a seu respeito, em poucas linhas tra\u00e7aremos a sua trajet\u00f3ria; dos desastres morais \u00e0 rearmoniza\u00e7\u00e3o com a sua consci\u00eancia.<br>Alarico I (c. 370 \u2013 410 d.C.)<br>O Imp\u00e9rio Romano vivia intensa decad\u00eancia. A lux\u00faria, a libertinagem, a corrup\u00e7\u00e3o e a total in\u00e9pcia dos seus \u00faltimos imperadores, de h\u00e1 muito haviam enfraquecido seu poderio.<br>B\u00e1rbaros e mercen\u00e1rios juntavam-se aos ex\u00e9rcitos romanos, com o fito de se aproveitarem de sua fraqueza. Entre eles, um l\u00edder dos visigodos, chamado Alarico I, fazia promissora carreira militar.<br>Ap\u00f3s assimilar as t\u00e9cnicas do ex\u00e9rcito, com a morte do Imperador Teod\u00f3sio I (395 d.C.), vira-se contra Roma. Ap\u00f3s fulminante ataque, captura Constantinopla. Invade a Gr\u00e9cia e saqueia a \u00c1tica. Poupa Atenas, mas ajoelha Corintos, Argos e Esparta.<br>Ambicioso e vaidoso, seus \u00fanicos interesses eram as conquistas territoriais e as riquezas pilhadas.<br>\u201cSua personalidade reunia qualidades de grande l\u00edder e disciplinador, mesclados \u00e0 prepot\u00eancia e \u00e0 perversidade (\u2026). Por onde passasse, deixava em seus rastros a viuvez, a orfandade, em tra\u00e7os de selvageria. Mesmo \u00e0s cidades subjugadas, Alarico impunha seus requintes de maldade e de sadismo, incendiando-as, promovendo os aleij\u00f5es, ceifando vidas\u201d. 1 (p. 13-14)<br>Seu retorno ao Mundo Espiritual foi marcado por indescrit\u00edveis sofrimentos. Mesmo depois de ser resgatado das trevas, por ter transgredido incont\u00e1veis vezes as Leis Divinas, suas ang\u00fastias e vis\u00f5es terrificantes das v\u00edtimas continuavam a mortific\u00e1-lo, dia e noite.<br>Alarico II (? \u2013 507 d.C.)<br>R\u00e9u da pr\u00f3pria consci\u00eancia, reencarna ap\u00f3s suplicar, por muito tempo, uma nova chance. E, curiosamente, no ano de 484 d.C., torna-se o oitavo rei dos visigodos.<br>Embora j\u00e1 menos cruel, sinal do avan\u00e7o do Esp\u00edrito, n\u00e3o consegue, ainda desta vez, refrear as inclina\u00e7\u00f5es ambiciosas de seu car\u00e1ter primitivo, pondo a perder, novamente, seu programa redentor.<br>Mantinha ainda sua irrefre\u00e1vel ambi\u00e7\u00e3o e vaidade. \u201cAs guerras e as conquistas territoriais continuavam sendo seu m\u00f3vel principal. (\u2026) continuava governando pelo poder da for\u00e7a e do terror\u201d. 1 (p. 23)<br>Cardeal de Richelieu (Paris, 1585 &#8211; id. 1642)<br>Por ter nascido em uma fam\u00edlia arruinada, a sua via seria a carreira militar, como era costume na \u00e9poca, por\u00e9m, desta vez escolheu a vida religiosa.<br>Ascendeu rapidamente. Em 1606, tornou-se Bispo de Lu\u00e7on. Deputado, representou o clero nos Estados Gerais, em 1614.<br>Apoiado por Maria de M\u00e9dicis, m\u00e3e do monarca Lu\u00eds XIII, acompanhou-a em seu ex\u00edlio (1617-1618). Chamado de volta, logra a reconcilia\u00e7\u00e3o do rei com a m\u00e3e, o que lhe valeu tornar-se Cardeal de Richelieu, em 1622.<br>Fiel auxiliar, entra para o Conselho do Rei no mesmo ano, e \u00e9 elevado ao posto de Primeiro Ministro dois anos depois.<br>\u201cUm dos mais not\u00e1veis estadistas franceses do regime mon\u00e1rquico, foi odiado e temido por todas as camadas da sociedade (\u2026). Defendeu o absolutismo real e contribuiu para a grandeza da monarquia. (\u2026) esmagou as resist\u00eancias na \u00e1rea de administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e proporcionou (\u2026) ignominiosos espet\u00e1culos de sangue com a decapita\u00e7\u00e3o de in\u00fameros oponentes de seu governo\u201d. 1 (p. 25)<br>Durante 18 anos, foi o segundo homem mais poderoso da Fran\u00e7a. Soube dominar todas as conspira\u00e7\u00f5es engendradas, ou supostamente existentes, contra Lu\u00eds XIII, bem como tornar-se implac\u00e1vel \u00e1rbitro da pol\u00edtica europeia. Entre outras a\u00e7\u00f5es, foi um dos respons\u00e1veis diretos pela guerra dos Trinta Anos.<br>Doente, sem conseguir levantar de seu leito no Pal\u00e1cio Real, o grande defensor da P\u00e1tria, que n\u00e3o hesitou cometer crimes hediondos para protege-la, desencarna aos 4 de dezembro de 1642.<br>Outro naufr\u00e1gio\u2026, contudo, pelo menos, \u201camenizara em si as inclina\u00e7\u00f5es ambiciosas da domina\u00e7\u00e3o do poder pela for\u00e7a, mas ainda carregava d\u00edvidas das ins\u00e2nias cometidas em outras vidas\u201d. 1 (p. 25-26)<br>E assim, aos golpes sucessivos da vida que ensina, o Esp\u00edrito foi abrandando seus pendores para o mal, ascendendo espiritualmente\u2026<br>Primeira reencarna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, como hanseniano<br>Rogando a Deus o refrig\u00e9rio \u00e0s chagas incrustadas em sua consci\u00eancia, para curar suas enfermidades morais, a ambi\u00e7\u00e3o, a vaidade, e a falta de respeito aos direitos dos seus irm\u00e3os, \u201cduas reencarna\u00e7\u00f5es compuls\u00f3rias foram-lhe impostas para expurgar os delitos inscritos no Livro da Vida\u201d. 1 (p. 26)<br>E assim, retorna ao solo terrestre para enfrentar a terr\u00edvel e humilhante lepra. Da primeira reencarna\u00e7\u00e3o, pouco sabemos; mas sobre a segunda encontramos material rico, exemplificando os caminhos redentores de um esp\u00edrito realmente disposto a empreender sua sublima\u00e7\u00e3o.<br>J\u00e9sus Gon\u00e7alves (1902-1947)<br>\u201c(\u2026) quero informar-te de que est\u00e1 sendo preparado teu retorno ao plano f\u00edsico. A const\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o (\u2026) varou dist\u00e2ncias incomensur\u00e1veis e encontrou eco em um cora\u00e7\u00e3o amigo que a s\u00e9culos te \u00e9 grato (\u2026). \u00c9 o Esp\u00edrito de Agostinho (\u2026)\u201d. 1 (p. 30)<br>E assim, sob a prote\u00e7\u00e3o do mesmo Agostinho, reencarna no pequeno vilarejo de Boreri.<br>Muito cedo perde os genitores. \u00d3rf\u00e3o de ambos, transfere-se para Bauru, no ano de 1919. No seguinte, casa-se com a vi\u00fava Theodomira de Oliveira, com que tem quatro filhos. No mesmo ano que se descobre portador do mal de Hansen, desencarna sua esposa (1930). Dois anos depois, casa-se com Anita Vilela; cerca de um ano antes de ser internado no Asilo-Col\u00f4nia Aymor\u00e9s, em Bauru. Mesmo local aonde seria hospitalizado seu primog\u00eanito, portador da mesma mol\u00e9stia.<br>Em 1937, pai e filho transferem-se para o Hospital-Col\u00f4nia de Pirapitingui. Embora n\u00e3o portadora do mal, Anita tamb\u00e9m l\u00e1 se abriga, at\u00e9 desencarnar quase seis anos depois, v\u00edtima de c\u00e2ncer no \u00fatero. Foi o in\u00edcio de sua convers\u00e3o; do ate\u00edsmo para o Espiritismo.<br>Em 1943, consorcia-se com outra interna, Isabel Laureano (Ninita).<br>Idealiza, funda e passa a presidir a Sociedade Esp\u00edrita Santo Agostinho, dentro do hospital-col\u00f4nia.<br>\u00c9 de sua lavra o livro Flores de Outono, publicado em 1947; ano em que desencarnaria, regressando \u00e0 P\u00e1tria Espiritual, j\u00e1 conhecido como Ap\u00f3stolo de Pirapitingui.<br>Nossa reflex\u00e3o<br>A escalada espiritual j\u00e1 \u00e9, por si s\u00f3, muito complicada; contudo, torna-se muito mais dif\u00edcil quando deixamos que o orgulho, a vaidade, ou qualquer outro desvio moral, guie nossas exist\u00eancias. O retorno, ao caminho correto, com os respectivos reajustes e resgates, \u00e9 certo e cristalino. Cedo ou tarde, acabamos nos defrontando com a necessidade de refazermos nossos passos. As dores ser\u00e3o muito acerbas, a tal ponto que somente com hero\u00edsmo e determina\u00e7\u00e3o poder\u00e3o ser enfrentadas. E, a bem da verdade, n\u00e3o \u00e9 sensato postergarmos o nosso realinhamento com as Leis Divinas, pois mais choro e ranger de dentes teremos que suportar.<br>Fiquemos na paz que Jesus nos deixou.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p style=\"font-size:22px\">1 MONTEIRO, Eduardo Carvalho. A extraordin\u00e1ria vida de J\u00e9sus Gon\u00e7alves. 4. ed. S. B. do Campo: Edi\u00e7\u00f5es Correio Fraterno, 1986.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[Fabio A. R. 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