{"id":2153,"date":"2023-10-12T10:50:05","date_gmt":"2023-10-12T13:50:05","guid":{"rendered":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/?p=2153"},"modified":"2023-10-12T10:52:25","modified_gmt":"2023-10-12T13:52:25","slug":"no-principio-era-o-verbo-e-o-verbo-estava-com-deus-e-o-verbo-era-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoradionisi.com.br\/folhaespiritacairbarschutel\/2023\/10\/12\/no-principio-era-o-verbo-e-o-verbo-estava-com-deus-e-o-verbo-era-deus\/","title":{"rendered":"No princ\u00edpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">[Fabio A. R. Dionisi]  fabiodionisi@terra.com.br<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:24px\">Caros leitores, h\u00e1 meses que nos encontr\u00e1vamos intrigados com a palavra Verbo, mencionada no Evangelho segundo Jo\u00e3o. Jesus Cristo seria o Verbo? Por que Jo\u00e3o diz: o Verbo era Deus?<br>Tudo come\u00e7ou quando estud\u00e1vamos as discuss\u00f5es, nos primeiros s\u00e9culos da era crist\u00e3, a respeito da verdadeira natureza de Jesus. E, principalmente, sobre a teoria de \u00c1rios, fundador do arianismo, e como Santo Agostinho refutou esta cren\u00e7a, defendendo o dogma da Sant\u00edssima Trindade.<br>Naturalmente chegamos ao cerne da quest\u00e3o, que tanto levantou pol\u00eamica sobre a propalada divindade de Jesus: o Pr\u00f3logo de Jo\u00e3o Evangelista fora o piv\u00f4, originando uma pol\u00eamica teol\u00f3gico-filos\u00f3fica de gigantescas propor\u00e7\u00f5es: \u201cNo princ\u00edpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus\u201d (Jo\u00e3o, 1:1)<br>Foi a partir desta passagem, principalmente entre os cat\u00f3licos, que nasceu a cren\u00e7a de que Jesus era o Verbo e que Ele era igual ao Pai, em import\u00e2ncia e de mesma subst\u00e2ncia; o que \u00c1rios n\u00e3o concordou, embora lhe desse o status de deus, se bem que menor ao Deus-Pai.<br>Dando sequ\u00eancia aos estudos, pesquisamos Obras P\u00f3stumas, uma colet\u00e2nea de v\u00e1rios trabalhos de Allan Kardec, que n\u00e3o haviam aparecido em livro, embora a maioria tivesse sido publicada na Revista Esp\u00edrita, quando nos deparamos com este ponto, novamente.<br>\u201cEsta passagem dos Evangelhos [Jo\u00e3o, 1:1-14] \u00e9 a \u00fanica que, \u00e0 primeira vista, parece encerrar implicitamente uma ideia de identifica\u00e7\u00e3o entre Deus e a pessoa de Jesus; \u00e9 tamb\u00e9m aquela sobre a qual se estabeleceu mais tarde a controv\u00e9rsia a respeito do assunto.\u201d 1 (p. 127)<br>O Mestre Lion\u00eas prossegue em suas elucida\u00e7\u00f5es, dizendo: \u201cA quest\u00e3o da divindade de Jesus foi sendo, gradualmente, suscitada. Nasceu das discuss\u00f5es levantadas a prop\u00f3sito das interpreta\u00e7\u00f5es de alguns sobre as palavras \u2013 Verbo e Filho; mas, foi somente no 4\u00ba s\u00e9culo que uma parte da Igreja a adotou. Este dogma, portanto, \u00e9 o resultado de decis\u00f5es humanas; n\u00e3o emana de revela\u00e7\u00e3o divina.\u201d 1 (p. 127)<br>Muito ponderado e cauteloso, como era de seu feitio, Allan Kardec inicia o desenvolvimento do tema alertando que as palavras eram de Jo\u00e3o e n\u00e3o de Nosso Senhor Jesus Cristo, bem como que elas podem ter sido alteradas, ao longo dos s\u00e9culos, e que, mesmo que n\u00e3o tenham sido, contrastam com as pr\u00f3prias afirma\u00e7\u00f5es de Jesus.<br>Exemplifiquemos com umas poucas passagens dos Evangelhos, inclusive com algumas de Jo\u00e3o\u2026<br>\u201cSubo para o meu Pai e vosso Pai, {para} meu Deus e vosso Deus.\u201d (Jo, 20:17)<br>Onde Jesus se coloca na mesma posi\u00e7\u00e3o que ocupamos. E n\u00e3o como se fosse algu\u00e9m acima de n\u00f3s, como um deus.<br>\u201cOuvistes o que eu vos disse. Vou e venho para v\u00f3s. Se me am\u00e1sseis, vos ter\u00edeis alegrado por eu ir para Pai, porque o Pai \u00e9 maior do que eu.\u201d (Jo, 14:28)<br>O que se encontra em negrito \u00e9 muito claro: Deus \u00e9 maior. Nela, Jesus n\u00e3o se iguala a Deus, nem em import\u00e2ncia, nem em subst\u00e2ncia.<br>\u201cCerto chefe o interrogou, dizendo: Bom Mestre, fazendo o que herdarei a vida eterna? Disse-lhe Jesus: Por que me dizes \u2018bom\u2019? Ningu\u00e9m \u00e9 bom sen\u00e3o um, Deus.\u201d (Lc, 18:18-19)<br>Querem maior prova do que esta? Novamente, Jesus se coloca como um ser inferior a Deus; ademais, podemos at\u00e9 inferir que Ele ainda se considera imperfeito.<br>\u201cAs minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conhe\u00e7o e {elas} me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, Nunca mais, por todo sempre, {elas} perecer\u00e3o e ningu\u00e9m as arrebatar\u00e1 da minha m\u00e3o. O meu Pai, que {as} deu para mim, \u00e9 maior que tudo, e ningu\u00e9m pode arrebatar da m\u00e3o do Pai.\u201d (Jo\u00e3o, 10:27-29)<br>Mais uma vez, Jesus diz que o Pai \u00e9 maior que tudo.<br>\u201c[Jo\u00e3o Batista] Pois aquele que Deus enviou [Jesus] fala as palavras de Deus (\u2026).\u201d (Jo\u00e3o 3:34)<br>Continuando, Kardec nos diz que mesmo que as palavras fossem de Jo\u00e3o, mesmo que n\u00e3o tivessem sido modificadas, ainda assim, haveria que ser considerado o sentido duplo que elas podem conter.<br>\u201cAceitando-se, por\u00e9m, tais quais s\u00e3o, ainda assim elas n\u00e3o resolvem a quest\u00e3o no sentido da divindade, porque tanto se aplicaria a Jesus-Deus, como a Jesus-criatura de Deus.\u201d 1 (p. 127)<br>Ato cont\u00ednuo, nosso Codificador prossegue afirmando que o Verbo \u00e9 Deus, porque \u00e9 a palavra de Deus.<br>Aqui cabe uma digress\u00e3o\u2026<br>Queremos lembrar, aos nossos leitores, que verbo, do Latim <em>verbu<\/em>, significa: palavra.<br>Jesus, por ter recebido a miss\u00e3o de divulg\u00e1-la, e por possuir virtudes tais que o fazem relacionar-se diretamente com Deus, foi confundido com o pr\u00f3prio Deus, e assim inclu\u00eddo na Sant\u00edssima Trindade.<br>Quando, na verdade, de acordo com o argumento s\u00f3lido do Codificador, era o Messias, o enviado divino que assimilara a palavra de Deus, e que encarnou para difundi-la entre os homens.<br>\u201cDe fato, o Verbo \u00e9 Deus, porque \u00e9 a palavra de Deus. Jesus tendo recebido esta palavra diretamente de Deus, com a miss\u00e3o de a revelar aos homens, assimilou-a. A palavra divina que Ele observou, encarnou-se nele. Ele a trouxe consigo, nascendo, e \u00e9 com raz\u00e3o que disse: \u2018O Verbo se fez carne e habitou entre n\u00f3s!\u2019 Jesus podia, pois, ser encarregado de transmitir a palavra de Deus, sem ser Deus, como um embaixador transmite as palavras de seu soberano, sem ser o soberano.\u201d 1 (p. 127)<br>Recentemente, J. Herculano Pires, um dos \u00edcones do pensa-mento Esp\u00edrita, complementou o tema, explicando que toda a confus\u00e3o come\u00e7ou pela pobreza do voc\u00e1bulo em Latim.<br>Jo\u00e3o usou o termo grego Logos, em seu Evangelho. Na tradu\u00e7\u00e3o latina (A Vulgata de S\u00e3o Jer\u00f4nimo, c. 400 d.C.) o termo Logos, mais amplo em sentido, s\u00f3 encontrou a palavra Verbum, que possui um sentido mais restrito: a de palavra.<br>No grego, al\u00e9m de palavra, inclui: intelig\u00eancia, raz\u00e3o, mente divina e o pensamento divino. 1 (p. 118)<br>\u201cJesus foi por isso tomado como a personifica\u00e7\u00e3o do pensamento de Deus, representando a segunda pessoa da Trindade. Podemos aceitar a alegoria no seu primeiro tema, embora apenas como alegoria: Jesus \u00e9 a mensagem de Deus, o seu Verbo enviado \u00e0 Terra, mas n\u00e3o o segundo tema que implica a confus\u00e3o pessoal de Jesus com Deus.\u201d 1 (p. 118)<br>Por isso, e por outras, \u00c1rios e Santo Agostinho estavam ambos equivocados. \u00c1rios, um pouco menos, se assim podemos dizer, uma vez que considerava Jesus menor, e de subst\u00e2ncia diferente do Pai, mas errado por coloc\u00e1-lo na posi\u00e7\u00e3o de um deus, mesmo que menor. Agostinho, muito mais, por ter defendido o dogma da Trindade, um dos pilares da Igreja Cat\u00f3lica. Um dos principais dogmas elaborados ao longo da exist\u00eancia do maior n\u00facleo do cristianismo, que professa a cren\u00e7a num Deus trino: Pai, Filho (Jesus) e Esp\u00edrito Santo. Onde, as tr\u00eas pessoas estabelecem uma comunh\u00e3o e uni\u00e3o perfeita, formando um s\u00f3 Deus; possuindo, os tr\u00eas, a mesma natureza divina, a mesma grandeza e poder.<br>A t\u00edtulo de recapitula\u00e7\u00e3o, assim podemos resumir este dogma: Pai: n\u00e3o foi criado e nem gerado; est\u00e1 em absoluta comunh\u00e3o com o Filho e com o Esp\u00edrito Santo; a esta primeira pessoa divina \u00e9 atribu\u00eda a cria\u00e7\u00e3o do mundo; Filho: n\u00e3o foi criado pelo Pai, mas gerado da subst\u00e2ncia do Pai; encarnou-se, assumindo assim a natureza humana; \u00e9 considerado possuidor de todas as perfei\u00e7\u00f5es divinas; a Ele \u00e9 atribu\u00edda a reden\u00e7\u00e3o da humanidade terrestre; Esp\u00edrito Santo \u2013 n\u00e3o do foi criado e nem gerado; terceira pessoa divina, ele personaliza o Amor \u00edntimo e infinito de Deus sobre os homens, segundo Santo Agostinho; manifestando-se primeiramente no Batismo, depois no epis\u00f3dio da transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus, mas que foi plenamente revelado no dia de Pentecostes; e que estabelece, entre os fieis e Jesus, uma comunh\u00e3o \u00edntima, tornando-os unidos num s\u00f3 Corpo.<br>Complexo, n\u00e3o acham? Felizmente, caros leitores, o Santo de Hipona j\u00e1 n\u00e3o pensa desta forma. Basta busc\u00e1-lo, em suas 36 mensagens, nas obras de Allan Kardec, para constatar sua saud\u00e1vel mudan\u00e7a de opini\u00e3o\u2026<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">1 KARDEC, Allan. Obras P\u00f3stumas. 13. ed. S\u00e3o Paulo: LAKE, 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[Fabio A. R. 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