O fluido cósmico se encontra em toda parte?
Editor responsável: Fabio Dionisi
[Fabio Dionisi] fabiodionisi@terra.com.br
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Dando seguimento aos estudos sobre o éter cósmico (fluido universal), à partir dos livros basilares da Doutrina Espírita, conhecidos como Pentateuco Kardequiano, bem como da Revista Espírita e demais obras de Allan Kardec, natural desejarmos saber da localização desta matéria quintessenciada, constituinte de tudo que é material, tanto no mundo físico como no espiritual.
Uma coisa é acharmos que ele se encontre em todo o espaço universal, como algo que preenche os vazios não ocupados pelos corpos celestes e outra é verificarmos que, mesmo onde existe matéria mais densa, ele continua existindo em sua pureza original, interpenetrando, se assim podemos nos expressar, absolutamente tudo o que existe no Universo infinito criado por Deus.
Começando pelo Livro dos Espíritos, encontramos que em todo o universo encontramos matéria. O vazio não existe. Pode escapar aos nossos sentidos, mas tem sempre matéria em todo lugar.
“Q. 36. O vazio absoluto existe em alguma parte no espaço universal? — Não, nada é vazio. O que te parece vazio está ocupado por uma matéria que escapa aos teus sentidos e aos teus instrumento.” 1
E, embora tenhamos matéria em todo o Universo, sabemos que ela não é a mesma em todos os lugares.
O fluido universal é o próprio elemento universal, princípio elementar de todas as coisas (LM – Q. 74). 2 (p. 62; it. III)
Todavia, na mesma questão, no item V, temos que o fluido universal (princípio universal) modifica-se de mundo para mundo. Nos mundos dos Espíritos puros ele é tão simples quanto o princípio elementar que dá origem a toda a matéria.
“Como o fluido universal se nos apresenta na sua maior simplicidade? Para encontrá-lo na simplicidade absoluta, seria preciso remontar aos Espíritos puros.” 2 (p. 62)
Já, no nosso mundo, ele encontra-se, mais ou menos, modificado, formando a matéria compacta que nos rodeia; no nosso caso, podemos dizer “que ele mais se aproxima dessa simplicidade no fluido que chamais fluido magnético animal.” 2 (p. 62; it. V)
Fato curioso é que Kardec, por inúmeras vezes, embora tenha registrado que o fluido universal se modifique de orbe para orbe segundo sua evolução, ele continua mantendo a mesma designação de fluido universal.
Na Gênese encontramos que os corpos formados a partir da modificação da matéria cósmica primitiva, que é simples e una, mantem-se solidários até o dia que inicia a decomposição; e que, os materiais desmembrados ficam na imensidade dos espaços; portanto, permanecendo desagregados na imensidão do Universo (Cap. VI; it. 5). 3 (p. 108)
Diferente, dependendo do grau de desagregação, ou retornando a ser a mesma substância primitiva, que é a única (a mesma) em todo o Universo; também denominada de o cosmos dos uranógrafos, ou matéria cósmica dos uranógrafos 3 (p. 109).
De qualquer forma, para mantermos o foco inicial, já que estamos falando em localização, importante enfatizar que o éter, ou matéria cósmica primitiva ou fluido etéreo, preenche todo o espaço infinito e penetra todos os corpos. (GE – Cap. VI; it. 10)
“Há um fluido etéreo que enche o espaço e penetra os corpos. Esse fluido é o éter ou matéria cósmica primitiva, geratriz do mundo e dos seres.” 4 (p. 93)
Mais adiante, no item 17, encontra-se: “A massa etérea, mais ou menos rarefeita, que permeia os espaços, interplanetários; esse fluido cósmico que enche o mundo, mais ou menos rarefeito, nas regiões imensas, ricas em aglomerados de estrelas, mais ou menos condensado nos lugares em que ainda não brilha o céu sideral, mais ou menos modificado por diversas combinações segundo as localidades da extensão, não é outra coisas senão a substância primitiva na qual residem as forças universais, de onde a Natureza tem tirado todas as coisas.” 4 (p. 98)
Um pouco mais adiante, ainda em A criação universal, temos na GE (Cap. VI; it. 18): “Esse fluido [fluido universal] penetra nos corpos (…).” 4 (p. 98)
O fluido cósmico não só preenche todo o espaço, como penetra tudo o que existe (criaturas, vegetal, animal ou de outras espécies, corpos celestes, etc.).
Pelo item 15, da GE (Cap. VI), podemos colher os seguintes aprendizados: (a) a matéria cósmica primitiva é o princípio de tudo o que é formado; (b) podemos encontrá-la, no espaço sideral, continuamente transformada em massa etérea, mais ou menos rarefeita, que permeia os espaços, entre os planetas; (c) nesta substância primitiva [matéria cósmica primitiva] residem as forças universais que presidem todas as transformações necessárias para criar todas as coisas do Universo (fluido cósmico, os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos). 4 (p. 96-97)
Caro leitor, do material coletado até aqui, podemos inferir que em todo Universo encontramos interpenetrados a matéria cósmica primitiva e o que ela gerou: (a) no espaço sideral, interplanetário: a matéria cósmica primitiva e a matéria cósmica (não mais primitiva; já transformada) e (b) nos orbes: a matéria cósmica primitiva e toda matéria que constitui este orbes (elementos materiais, fluídicos e vitais).
O leitor deve estar curioso da diversidade de termos utilizados para o substância simples primitiva, a mais elementar que existe. Certa feita, compilamos um estudo de sinônimos utilizados na obra kardequiana; e, de fato, são muitos. Aqui só adicionaremos mais um, o termo éter; encontrado na Gênese (cap. VI, it. 47). 4 (p. 110)
Caro leitor, Allan Kardec repetiria muitas destas informações na sua Revista Espírita (1858-1869). 5
Para iniciarmos, vejamos a de Junho, 1858, no artigo: “Teoria das manifestações físicas”. O tema versou sobre a substância etérea que envolve os planetas; se seria o fluido universal. Foi respondido que sim: “Pergunta 9. A substância etérea que se acha entre os planetas é o fluido universal?” – R. Ele envolve os mundos.” 5 (p. 150)
A RE (Novembro, 1861) versou, novamente, sobre o fluido universal. Sua localização e como sendo o responsável pelos fenômenos da criação.
“O fluido universal liga entre si todos os mundos; e, segundo as correntes que lhe são imprimidas pela vontade do Criador, dá todos os fenômenos da criação.” 5 (p. 363)
Além de explicar que o fluido universal liga entre si todos os mundos, temos que, como ele preenche todo o Universo, estando em tudo, ele acaba sendo um meio de ligação entre todos os orbes.
Para completarmos nossa pesquisa na Revista Espírita, encontramos uma última menção sobre o éter; na RE – Janeiro (1866): “Insondável éter.” 5 (p. 15)
[Um alma que desencarnou] “Ela mesma descreve suas primeiras sensações: ‘(…) Desembaraçada dessa argila submetida às leis da gravidade que me pesaram recentemente ainda, eu me lancei com uma celeridade louca no insondável éter (…).” 5 (p. 15)
Para completarmos, nada encontramos nas suas demais obras. 6, 7, 8, 9 e 10
Espero terem achado este tema interessante.
Fiquem com Deus.
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1 KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Edição comemorativa. Rio de Janeiro: FEB, 2007.
2 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Tradução de J. Herculano Pires. São Paulo: LAKE, 2014.
3 KARDEC, Allan. A gênese. Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Tradução de Dr. Guillon Ribeiro. Brasília: FEB, 1989.
(1964 a 1869) Tradução de Júlio Abreu Filho. São Paulo: Edicel, s/ano.
6 KARDEC, Allan. O céu e o inferno, ou Justiça Divina segundo o Espiritismo. Tradução de João Teixeira de Paula e J. Herculano Pires. São Paulo: Lake, 2002.
7 KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. Brasília: FEB, 2024.
8 KARDEC, Allan. Obras Póstumas. São Paulo: Lake, 2005.
9 KARDEC, Allan. A obsessão. Tradução e prefácio de Wallace Leal V. Rodrigues. Matão: O Clarim,1986.
10 KARDEC, Allan. O Espiritismo na sua expressão mais simples (e outros opúsculos de Kardec). Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Brasília: FEB, 2010.
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O autor é editor, articulista, escritor, palestrante, jornalista; responsável pelo CE Recanto de Luz – Pronto Socorro Espiritual Irmã Scheilla, em Ribeirão Pires (SP). www.irmascheilla.org.br

