EDITORIAL No 151 (Setembro, 2026) – A prece
Editor responsável: Fabio Dionisi
[Fabio Dionisi] fabiodionisi@terra.com.br
__________________________________
Certa feita, lendo um livro do Espírito de Maria João de Deus, psicografado pelo seu filho, então encarnado, Francisco Cândido Xavier, entitulado “Cartas de uma morta” 1, compreendemos os fenômenos intercessórios que ocorrem no plano espiritual, associados às preces realmente feitas com a “alma”.
Como consequência, ao chegar neste ponto do capítulo, achamos oportuno passar o que aprendemos àqueles que nos leem em busca de algum alento para suas dores.
Se todos soubessem o que ocorre, desde o momento em que elas são proferidas, certamente faríamos muito mais uso deste maravilhoso canal de comunicação, tão eficiente e oportuno, por ocasião de nossos desalentos.
Comecemos pelo capítulo 102, intitulado “As orações dos homens”, onde encontramos uma descrição interessante de toda esta dinâmica.
“Nossa especialidade é examinar as preces dos seres terrenos, acudindo às casas de oração ou a qualquer lugar onde há um espírito que pede e que sofre. As rogativas de cada um, então, são anotadas e examinadas por nós, procurando estabelecer a natureza da prece, os seus méritos e deméritos, sua elevação ou inferioridade para podermos determinar os socorros necessários. Até as orações das crianças são tomadas em consideração: qualquer pedido, qualquer súplica, tem a sua anotação particular. Há orações sublimes que se elevam da Terra até o nosso distrito, tão puras elas são, todavia, que atravessam as nossas regiões como jatos de luz, buscando esferas mais altas e mais elevadas que a nossa. Existem, igualmente, as imprecações mais negras e dolorosas. Todas, contudo, merecem o nosso particular carinho e acurada atenção.
Há muitos espíritos elevados sob as ordens imediatas de Aulus *, e que vêm até nós transmitindo as ordens necessárias. Chamamo-los anjos, para te dar a expressão do respeito e da veneração que esses elevados seres nos merecem, e sempre um desses anjos chefia as nossas expedições para atender os que erram e padecem, nos torvelinhos da luta material.” 1 (p. 152-153)
Não era à toa que Nosso Senhor Jesus Cristo nos pedia para orar…
A nossa formação religiosa, em qualquer linha que tenha sido, antes de nos engajarmos ao Espiritismo, sempre nos arremetia ao entendimento de que havia um interlóquio entre o pedinte e uma entidade superior; como no caso de Jesus, Maria, a mãe do Nazareno, ou mesmo diretamente com Deus. Contudo, na ignorância que ainda grassava entre nós, quanto ao que ocorre nos Mundos Maiores, desconhecíamos do movimento e dinâmica que se estabalecem, entre nossos irmãos já desencarnados, para suavizar as dores em nossas vidas…
Pelo que se compreende acima, no lindo trecho narrado pela mãe carnal do nosso Chico, todas as orações, independente da qualidade que as mesmas tenham, são recebidas no plano Espiritual, analisadas e endereçadas às entidades incubidas de interceder em nosso favor, de acordo com os nossos merecimentos e, principalmente, necessidades.
Outro trecho que achamos oportuno transcrever, encontra-se no capítulo 76 da citada obra. Lá encontramos um interessante parágrafo onde Maria João de Deus comenta como recebeu a rogativa de uma mãe aflita. Ouviu e viu, compreendeu o que se passava, e através do pensamento aliviou-a de onde se encontrava!
“Ouvi, então, longíngua voz a exclamar: — “Meu Deus!… Meu Deus!… Atende ao meu coração de mãe desemparada (…).
Ouvindo essa prece comovedora, vi igualmente uma figura de mulher ajoelhada e banhada em pranto. Num átomo de tempo, por intermédio de extraordinária interligação de pensamentos, pude saber qual a razão das suas lágrimas, das suas preocupações e como eram amargos o seus sofrimentos! Sensibilizada com as manifestações daquela alma exilada, instintivamente enviei-lhe pensamentos consoladores, pronunciando palavras de fé e de esperança.
Como havia pressentido, via-a meditar por instantes com o olhar cheio de estranho brilho, levantando-se reconfortada para enfrentar a luta, sentindo grande alívio.” 1 (p. 112-113)
E, prossegue explicando como estes fenômenos ocorrem.
Retrocedendo ao capítulo 75, “A aura da Terra e a ligação da Humanidade aos planos invisíveis”, encontramos uma descrição científica do processo de ligação entre as mentes encarnadas e desencarnadas. Com endereço certo, e sem se perderem em sua caminhada entre os dois planos; o físico e o espiritual.
“Mas o meu guia exclamou:
— “Busca ver como a humanidade se une pelo pensamento aos planos invisíveis. O teu golpe de vista abrangeu a paisagem, procure agora os detalhes!.
Fixando atentamente o quadro, notei que filamentos estranhos, em posição vertical, se entrelaçavam nas vastidões sem se confundirem. Não haviam dois iguais e as suas cores variavam do escuro ao claro mais brilahnte. Alguns se pagavam, mas outros se acendiam em extraordinária sucessão e todos eram possuídos de movimento natural, sem uniformidade em suas particularidades.
— “Esses filamentos” – disse-me com bondade – “são os pensamentos emitidos pelas personalidades encarnadas, são reflexos cheios de vida, através dos quais podemos avaliar os cérebros que os transmitem (…).” 1 (p. 110-111)
Ah! Se todos pudessem conhecer, e avaliar em sua profundidade, o que acabamos de transcrever, certamente se beneficiaram, ajudar-se-iam muito mais, com as preces proferidas do fundo de suas “alma”. Não só com a intercessão de nossos amigos espirituais de luz, mas através, também, de verdadeiros banhos de energia revitalizante a descerem, como bálsamos, sobre o nosso ser.
“Nesse instante em que pedíamos com fervor, vi que um foco de luz atravessava a pesada atmosfera, banhando aquelas frontes imersas no martírio.” 1 (p. 102)
“Muitas vezes, nos instantes em que nos entregávamos às mais fervorosas orações, víamos descer, das vastidões etéreas que nos cobriam a cabeça, uma profusão de pétalas de flores, que desapareciam quando aspirávamos os seus perfumes balsâmicos.
Explicou-me certo espírito evoluído que esse eflúvio aromático eram as manifestações do benefício da prece, que elevávamos aos páramos da perfeição e que, a eles remontando, voltava aos nossos corações saturados do amor das almas benditas que, por seu saber e suas virtudes, se tornavam colaboradoras diretas da onipotência divina.” 1 (p. 51 e 52)
Oremos sempre, pois, caros confrades e confreiras!
_________________________________________________________________________
*Aulus é o governador da localidade espiritual onde Maria João de Deus se localizara após seu desencarne. Um Espírito de elevada condição espiritual, que fora um dos mártires anônimos do cristianismo nascente.
________________________________________________________________________________
1XAVIER, Francisco Cândido. Cartas de uma morta. Espírito de Maria João de Deus. 14. ed. São Paulo: LAKE, 2002.
_________________________________________________________________________
O autor é presidente do CE “Recanto de Luz – Pronto Socorro Espiritual Irmã Scheilla”, em Ribeirão Pires (SP) www.irmascheil

