Primavera (Augusto dos Anjos)
[Nelli Célia] nellicelia@yahoo.com.br
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Quando encarnados trazemos muitos
sonhos e desejos de expandir a nossa criatividade, que adquirimos na vida anterior, a qual acabamos de deixar. Nela adquirimos um pouco de conhecimento, valor da fé e do amor coisas que poderão aumentar ou diminuir conforme o nosso esforço próprio.
Augusto dos Anjos nasceu na Paraíba e faleceu com 30 anos, teve uma vida repleta de contradições, todavia, muito culto e grande poeta.
Conviveu com Chico Xavier e, depois, como espírito, transmitiu várias poesias a ele.
Certa vez, quando o Chico regava uma plantação de alho, após ter terminado o trabalho na firma, ele ouvia os espíritos falarem com ele e, nesse dia, Augusto dos Anjos começou a falar poeticamente sobre os astros e as estrelas. Chico, cansado, pediu a ele que viesse em outro dia dar aquela mensagem, pois era muito difícil para ele entender. Augusto falou: “Na sua cabeça não cabe esse tema”. Mal sabia ele o quanto Chico saberia mais tarde, pois nessa época Chico era muito jovem.
As mensagens que Chico recebia, nessa época, já encantavam a todos, tinha ele 20 anos e já contribuía com a espiritualidade. Chico recebeu várias psicografias de Augusto dos Anjos, e no livro Parnaso de além túmulo, Augusto dos Anjos participou com vários poemas passados a Chico Xavier.
O mês de setembro é considerado o mês das flores e nenhuma poesia me ligava ao meu pensamento, lembrei-me da primavera, que chega em setembro e deparei-me com uma joia literária de Augusto dos Anjos. Ele fala com uma árvore linda rodeada de flores como se fosse gente ligada a ele, e sem dúvida ela é um ser vivo, portanto, tem as mesmas necessidade que nós.
A poesia é escrita com linguagem da época, mas a beleza está presente nela.
Augusto escreveu apenas um livro e na espiritualidade transmitiu vários poemas a Chico Xavier.
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(Augusto dos Anjos)
Primavera
Primavera gentil de meus amores,
Arca cerúlea de ilusões etéreas,
Chova-te o Céu cintilações sidéreas
E a terra chova nos teus seios flores!
Esplende, Primavera, os teus fulgores.
Na auréola azul, dos dias teus risonhos,
Tu que sorveste o fel de minhas dores
E me trouxeste o néctar dos teus sonhos!
Cedo virá, porém, o triste outono.
Os dias voltarão a ser tristonhos.
E tu há de dormir o eterno sono,
Num sepulcro de rosas e de flores,
Arca sagrada de cerúleos sonhos,
Primavera gentil dos meus amores!
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Colaboração: Ricardo Ondir

