Editorial 141 (Novembro, 2026) “Perfil Psicológico do Venerando Chico”
[Fabio Alessio Romano Dionisi] fabiodionisi@terra.com.br
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Como todo grande missionário, Chico Xavier tinha um jeito muito alegre de ser; demonstrando sempre muita tranquilidade e serenidade.
Procurava só enxergar os aspectos positivos da vida; evitando se queixar dos revezes e das incompreensões humanas. Tanto que muitas das pessoas, que tiveram a felicidade de desfrutarem um contacto mais longo com ele, exaltavam seu bom humor e descontração; mesmo diante das inúmeras doenças, dores e dissabores que suportou ao longo de sua longa existência corporal.
Não reagia nunca às ofensas e injustiças recebidas.
Acreditava realmente no poder do trabalho; mas não tinha ambições materiais. Estas eram só de cunho espiritual, e visando sempre o bem do próximo.
Apesar do que infelizmente acontece com grande parte do nosso poder público, Chico respeitava e mandava todos respeitarem às autoridades locais, nossa governança, os políticos; enfim todos aqueles investidos de algum cargo público. Nunca se ouviu uma única palavra de desabono ou crítica aos mesmos.
Acreditava na obediência, na disciplina; uma vez que, segundo ele, toda a natureza é exemplo de disciplina. São suas as palavras: “O sol não abandona o seu posto”.
Jamais atacou alguma autoridade religiosa. Ecumênico e conciliador procurava congrassar a todos na mesma luta: a do bem.
Enfim, os 92 anos missionários deste Espírito de Luz são exemplos de boa vivência para todos nós. Estudá-lo, lê-lo é colher exemplos do bem viver nas áreas da humildade, paciência, tolerância, renúncia, resignação, abnegação, disciplina, bondade, sabedoria, amor etc.. etc.. Verdadeiros ensinamentos, se bem aproveitados, para o nosso bem estar e equilíbrio psicológico.
Contudo, não deixava de ser o Chico homem, o Chico sentimento, o Chico das suas lutas interiores.
O seu ser e estar nos faz refletir quanto ao nosso ser psicológico, os conflitos interiores nos campos da culpa, da aceitação do próximo, aceitação de nós mesmos etc..
Ao olharmos o Chico humano, vemos, em certas circunstâncias, muitas das nossas características, como tristeza, desânimo etc.
Não há dúvida que ele, muito mais do que nós, empreendeu lutas titânicas para vencer a si mesmo, e o conseguiu.
Chico é, sem dúvida, um Espírito muito mais à frente do estágio médio evolutivo dos habitantes deste planeta; contudo, também teve seus pontos de melhoria. Sua humildade era decorrência óbvia, ao nosso ver, do conhecimento de si mesmo e suas necessidades evolutivas. Como ser perfectível, mesmo tão adiante na escala evolutiva, em relação a todos nós, sabia dos degraus que ainda precisava galgar.
Sua convivência com o próximo mostrou-lhe, várias vezes, através de suas reações, ser um Espírito ainda frágil diante das ofensas exteriores; porém, como Espírito evoluído que era, conseguia superar suas dificuldades através das virtudes já conquistadas: humildade, paciência, senso do dever, amor ao próximo, obediência à Deus, fé sólida na sabedoria divina etc..
Tracemos um paralelo, tomando a liberdade da comparação, para aproveitarmos o seu exemplo. Embora nossas limitações sejam muito maiores, podemos copiar a sua atitude para nossa melhoria interior. À exemplo do Chico, precisamos, em primeiro lugar, aceitá-las como são; sem desculpismos, sem distorções, sem ocultá-las de nós mesmos. Só assim teremos a chance de nos defrontarmos, face a face, com as deficiências que limitam nossa evolução…
Porém, como ele, não podemos deixar que isso se torne motivo para pararmos no caminho. O desânimo e apatia não devem fazer parte do nosso vocabulário. O autoconhecimento, sim, deve ser o ponto de partida, como o foi para o Chico Xavier; mas, a reforma íntima, a nossa meta diária.
“A água parada apodrece; a água que corre ao longo do rio se purifica através do contato com a areia do leito e o atrito com as pedras; as quais funcionam como, ao mesmo tempo, filtro e depósito de seus detritos interiores…”
A vida de Chico, portanto, também nos humaniza. Não podemos assumir nem uma posição de carrascos dos outros e nem de nós mesmos; pois, ao percebermos suas dificuldades, isso nos ajuda a melhor aceitarmos as nossas também; porém, novamente, sem nos esquecermos da necessidade imperiosa do nosso progresso constante, a exemplo dele…
Ideias, emoções e sentimentos são humanos e brotam espontaneamente, sem o nosso controle, quando ainda em evolução; mas, o importante é o que fazemos delas…
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O autor é editor, articulista, escritor, palestrante, jornalista; responsável pelo CE Recanto de Luz – Pronto Socorro Espiritual Irmã Scheilla, em Ribeirão Pires (SP). www.irmascheilla.org.br.


Como sempre grandes ensinamentos. Parabéns 🌠 ao Sr Fabio Dionisi.