EDITORIAL No 146 (Abril, 2026) – “Forças e Leis que governam a formação, manutenção e desagregação da matéria (Allan Kardec).”
Editor responsável: Fabio Dionisi
[Fabio Dionisi] fabiodionisi@terra.com.br
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Nosso foco será o estudo do que Allan Kardec escreveu sobre as forças e as leis do éter.
De todas as suas obras publicadas, só encontramos esta matéria em A gênese. 1
A primeira abordagem está no item 10, “As leis e as forças”, do capítulo VI, “Uranografia geral”, por sinal, um item inteiramente dedicado ao assunto!
Mais uma curiosidade. Segundo nota do tradutor, nada menos que J. Herculano Pires, o capítulo todo foi textualmente extraído de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título: “Estudos uranográficos”, assinadas por Galileu; e não menos surpreendente o nome do médium é Camille Flammarion.
O item 10 inicia afirmando que o éter, ou matéria cósmica primitiva, origina (geratriz) do mundo e dos seres; ou seja, excetuando-se o Espírito (LM – Q. 74). 2 (p. 62), tudo provem deste éter; a matéria e os seres viventes. 1 (p. 93)
Na mesma passagem, prosseguindo, fala sobre as forças.
“As forças que presidiram às metamorfoses da matéria são inerentes ao éter; trata-se de leis imutáveis e necessárias que regem o mundo.” 1 (p. 93)
Textualmente, portanto, o éter possui as forças que provocam as transformações da matéria.
Ainda no mesmo item, seguem-se mais conhecimentos. 1 (p. 93-94)
A gravidade, coesão, afinidade, atração, magnetismo, eletricidade, etc. são forças inerentes ao éter (fluido cósmico); ou seja, fazem parte de sua natureza.
Estas forças agem em tudo e em toda a parte; contudo, sua ação varia pela simultaneidade (ou não) e pela sucessão de forças.
O fluido cósmico possui duas propriedades importantes: (a) forças (gravidade, etc.) e (b) movimentos vibratórios (som, calor, luz, etc.).
Da mesma forma como temos apenas uma só substância simples elementar, da qual toda matéria deriva, temos uma só lei universal, da qual derivam todas as forças.
Estas forças apresentam outras duas características excepcionais. A primeira é serem espontâneas; às vezes agem em conjunto, enquanto, outras vezes de forma individual e/ou sucessiva. E, sendo o fluido cósmico eterno e universal (item 11), a atuação destas forças também o é. 1 (p. 95)
No item 11, que também versa sobre as leis e as forças, encontramos: “considerando as forças em si próprias, pode-se formar uma série cuja resultante, confundindo-se com a geratriz [aquela que gera], é a lei universal [lei primordial].” 1 (p. 94)
Da mesma forma como existe uma série infindável de matérias, assim se dá com as forças. A lei universal é formada pela somatória destas leis, que, elas próprias, confundem-se com a lei universal (que é a geratriz de todas elas). Trocando em miúdos, a resultante desta série de forças é a própria lei universal (lei primordial).
Galileu diz que não saberíamos apreciar esta lei em toda sua extensão, uma vez que as forças que a representam, no campo de nossas observações, são restritas e limitadas; e que, entretanto, a gravidade e a eletricidade podem ser consideradas como uma grande apreciação da lei primordial, que rege os céus por meio destas manifestações. 1 (p. 95-96)
Não temos, portanto, segundo o egrégio cientista, a capacidade de ter acesso a todas as forças, pois está fora do nosso campo de observação.
“(Item 11) Todas essas forças são eternas (…) e universais, tal como o é a criação [que é eterna e universal], sendo inerentes ao fluido cósmico.” 1 (p. 95)
Sendo inerentes ao fluído cósmico, estas forças atuam em tudo e em toda parte; preparando, dirigindo, conservando e destruindo os mundos, em suas diversas fases de vida, desta forma, governando os trabalhos realizados pela Natureza. 1 (p. 95)
Agoira, passaremos ao item 17. A matéria cósmica primitiva é o princípio de tudo o que é formado.
“A massa etérea (…) que permeia os espaços, interplanetários; esse fluido cósmico que enche o mundo, mais ou menos rarefeito, nas regiões imensas, ricas em aglomerados de estrelas (…), mais ou menos modificado por diversas combinações segundo as localidades da extensão, não é outra coisas senão a substância primitiva na qual residem as forças universais, de onde a Natureza tem tirado todas as coisas.” 1 (p. 98; it. 17)
Deste longo trecho abstraímos alguns pontos de nosso interesse.
No espaço sideral encontramos matéria cósmica; uma massa etérea, em maior ou menor grau rarefeita, que permeia os espaços, entre os planetas. Ela é criada pela matéria cósmica primitiva, que se transforma continuamente para dar a sua origem.
A substância primitiva (fluido cósmico primitivo) cria o fluido cósmico (não mais primitivo; ou seja, já modificado) que preenche o Universo; mais ou menos rarefeito, segundo as regiões; subindo modificações, combinações, segundo as regiões. Nesta substância primitiva residem as forças universais que presidem todas as transformações necessárias para criar todas as coisas do Universo (fluido cósmico, os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos).
Este capítulo VI ainda nos apresenta mais material para estudo. Por exemplo, o item 20, que fala sobre a criação dos sóis e os planetas. 1 (p. 100)
“(…) num ponto do Universo (…), a matéria cósmica se condensou sob a forma de imensa nebulosa, animada esta das leis universais que regem a matéria. Em virtude dessas leis, notadamente da força molecular de atração, tomou ela a forma de um esferoide (…). O movimento circular produzido pela gravitação, rigorosamente igual, de todas as zonas moleculares em direção ao centro, logo modificou a esfera primitiva, a fim de a conduzir, de movimento em movimento, à forma lenticular. Falamos do conjunto da nebulosa.” 1 (p. 100)
A formação de uma nebulosa se dá pela condensação da matéria cósmica, num dado ponto do Universo. E essa nebulosa já contém as leis universais que presidem a formação da matéria.
Uma dessas leis universais é a da força molecular de atração, que faz com que a matéria condensada adote a forma de um esferoide, isolando do espaço, nesta esfera, a matéria condensada.
Uma outra lei universal é a da gravitação, que faz com que a matéria condensada (de cada porção molecular) circule em torno de cada centro. O conjunto desse movimento, dá a forma lenticular para a nebulosa.
Agora, pularemos para o item 50 (“Sucessão eterna dos Mundos”), no mesmo capítulo VI.
“(…) As mesmas leis que o [corpo celeste] elevaram acima do caos tenebroso (…), as mesmas forças que o governaram durante os séculos de sua adolescência (…) e que o conduziram à idade madura e à velhice, vão presidir à desagregação de seus elementos constitutivos para entregá-los ao laboratório de onde a potência geratriz extrai sem cessar as condições da estabilidade geral. Estes elementos vão voltar a essa massa comum de éter, para se assimilar a outros corpos (…).” 1 (p. 112-113)
As leis (e as forças) são as mesmas que (a) agregam os corpos celestes, quando “nascem”, (b) que os governam durante as suas existências, (c) e os desagregam quando se extinguem.
Numa sucessão eterna, do éter temos a formação da matéria, com a sua posterior desagregação, retornando ao éter, para reiniciar o ciclo…
Isto posto, após concluirmos nossa incursão na obra de Kardec, reiteiramos nossos desejos à todos de muita paz. Não nos esquecendo que o Hálito Divino continua presente em todo o universo!
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1 KARDEC, Allan. A gênese. Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. São Paulo: Lake, 1989.
2 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Ou guia dos médiuns e dos evocadores. São Paulo: Lake, 2014.
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O autor é editor, articulista, escritor, palestrante, jornalista; responsável pelo CE Recanto de Luz – Pronto Socorro Espiritual Irmã Scheilla, em Ribeirão Pires (SP). www.irmascheilla.org.br

