EDITORIAL No 147 (Maio, 2026) – “É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar”

Editor responsável: Fabio Dionisi
[Fabio Dionisi] fabiodionisi@terra.com.br

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“É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar, pois isso a que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e a melhoria dos seres vivos.” 1 (Q. 728)

Vejamos o que Allan Kardec registrou sobre este ciclo incessante, do éter à matéria, seu retorno ao fluido cósmico universal, para dar à luz a novas criações.

Do éter forma-se todo tipo de matéria que existe no Universo afora. Com o tempo, porém, desagrega-se, retornando seus elementos à matéria cósmica primitiva. Dela tem seu ponto de partida, nela tem seu retorno.

Em nossas pesquisas, na obra kardequiana, este tema somente pode ser encontrado em A gênese 2 e na Revista Espírita 3.

Nosso primeiro encontro, em A gênese, com o tema objeto de nossos estudos, dá-se no capítulo VI (“Uranografia geral”), em “A matéria”, no item 5.

A matéria cósmica primitiva dá origem a todos os materiais constitutivos no universo. Esses materiais um dia se decompõe.

“Onde o prático suspende o véu e começa a distinguir o começo das coisas (…) não vê, nos materiais constitutivos do mundo, senão a matéria cósmica primitiva, simples e una, diversificada em certas regiões na época do seu nascimento [regiões], repartida em corpos solidários durante sua vida, materiais desmembrados um dia no receptáculo da imensidade, mediante a sua decomposição (…).” 2 (p. 92)

Aqui fica claro que a matéria cósmica primitiva (éter): (1) é única (encontra-se em todo o Universo), (2) é simples (é o elemento mais simples que existe), e (3) que quando uma região do espaço nasce, ela (éter) se transforma, diversificando-se de acordo com a região formada.

Existe uma matéria cósmica primitiva. Todas as matérias do mundo tem nela como o seu ponto de partida. 2 (p. 92)

Esta diversificação dos materiais gerados ocorre segundo o modo de ação da natureza. (GE – Cap. VI; it. 5) 2 (p. 92)

Em cada mundo, o elemento cósmico primitivo se modifica para gerar os elementos constitutivos daquela região; que variam de mundo para mundo.

Estes corpos formados, a partir da modificação da matéria cósmica primitiva, simples e una, mantem-se solidários até o dia que inicia a decomposição; os elementos desmembrados ficam na imensidade dos espaços.

Aqui, também entendemos que permanecem desagregados no espaço, para novo reaproveitamento.

Sobre esta desagregação e retorno, no mesmo capítulo, em seu item 17 (“Criação Universal”) ressurge a informação.

“Ela [matéria cósmica primitiva] não desapareceu, essa substância de onde provém as esferas siderais; não está morto este poder, pois, incessantemente ainda dá à luz novas criações e recebe incessantemente os princípios reconstituídos dos mundos que se apagam (…).” 2 (p. 98)

Ela não desaparece, bem como as suas propriedades; o poder criador não morre nunca, uma vez que, incessantemente, cria. E, em nenhum momento ela perde as características acima descritas.

O item 50 (“Sucessão eterna dos Mundos”), no mesmo capítulo VI, apresenta maior riqueza e detalhamento sobre o tema.

“(…) As mesmas leis que o elevaram acima do caos tenebroso [criaram o corpo celeste] (…), as mesmas forças que o governaram durante os séculos de sua adolescência (…) e que o conduziram à idade madura e à velhice, vão presidir à desagregação de seus elementos constitutivos para entregá-los ao laboratório de onde a potência geratriz [poder criador] extrai sem cessar as condições da estabilidade geral. Estes elementos vão voltar a essa massa comum de éter, para se assimilar a outros corpos ou para regenerar outros sóis (…).” 2 (p. 112-113)

As leis (e as forças) são as mesmas que (a) agregam os corpos celestes, quando “nascem”, (b) os governam durante as suas existências, (c) e os desagregam quando se extinguem.

Continuando em A gênese, agora no capítulo IX (“Revoluções do Globo”), item 15 “(Acréscimo e diminuição do volume da Terra”), encontramos que do fluido cósmico universal (FCU) são formados os mundos; e, quando estes se esgotam, o que foi retirado retorna ao FCU. 2 (p. 157-159)

Vamos à passagem (item 15), cuja mensagem é do Espírito Galileu: “Os mundos se esgotam pelo envelhecimento, e tendem a se dissolver para servir de elemento de formação a outros universos. Pouco a pouco, eles entregam ao fluido universal do espaço, aquilo que dele tiraram para se formar. Além disso, todos os corpos se gastam pelo atrito; o movimento rápido e incessante do globo através do fluido cósmico tem por efeito diminuir constantemente sua massa, se bem que isto se dá numa quantidade inapreciável num dado tempo.” 2 (p. 159)

Como novo, até este ponto de nossos estudos, aqui aprendemos que a desagregação se dá devido à duas causas: (a) o envelhecimento da matéria, e (b) o atrito, que, mesmo sendo mínimo, ele existe, e tem por efeito o de diminuir constantemente a massa do orbe que circula pelo espaço afora. 2 (p.157-159) e 3 (p. 166-169)

O que nos arremete, nos dias atuais, ao estudo da radioatividade (envelhecimento e desagregação da matéria) e ao resgate do conceito da existência do éter cósmico, na Física Moderna… Mas, esses são assuntos para outro momento…

Retornando… Nosso tema é reencontrado no capítulo XIV (“Os fluidos”), item 6 (“Natureza e propriedade dos fluidos”): “A solidificação da matéria, na realidade, não passa de um estado transitório do fluido universal, o qual pode voltar ao seu estado primitivo quando as condições de coesão cessam de existir.” 2 (p. 235)

Do fluido cósmico etéreo chega-se, pelas modificações deste, os materiais que conhecemos,  em suas múltiplas formas, detentoras de propriedades que lhes são específicas. E quando as condições de coesão cessam de existir, há o retorno, por desagregação, ao estado primitivo; ou seja, à sua origem, o éter.

Quanto a “coesão”, uma palavra chave no texto acima, trata-se de uma lei, uma propriedade, intrínseca ao próprio éter; é de sua natureza, que provoca a agregação, bem como a desagregação da matéria.

Numa pequena digressão, caro leitor, todos este conhecimento nos lembraram o que hoje sabemos sobre a desintegração da matéria nos buracos negros e o seu reinício à partir dele…

Esgotada a obra, passemos para a Revista Espírita 3, mais especificamente na de Setembro, 1868, em “A propósito da gênese” [Mensagem de Galileu].

Importante explicar que este artigo 3 (p. 166-169) foi escrito no mesmo ano da publicação de A gênese, que nela consta no capítulo IX (“Revoluções do Globo”), no item 15, (“Acréscimo e diminuição do volume da Terra”) 2 (p. 159). Por este motivo, abster-nos-emos repetir o que já foi escrito acima.

Como nas demais obras de Allan Kardec nossas pesquisas foram infrutíferas, à respeito do tema que nos propusemos estudar, só nos resta desejar à todos que fiquem com Deus.

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1 KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3. ed. edição comemorativa. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2007.

2 KARDEC, Allan. A gênese. Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Tradução de Victor Tollendal Pacheco. Notas de J. Herculano Pires. São Paulo, SP: Lake, 1989.

3 KARDEC, Allan. Revista Espírita. Jornal de estudos psicológicos. Coleção. 1858 a 1869.

(1858 a 1863) Araras, SP: IDE, 1993.

(1964 a 1869) São Paulo, SP: Edicel, s/ano.

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O autor é editor, articulista, escritor, palestrante, jornalista; responsável pelo CE Recanto de Luz – Pronto Socorro Espiritual Irmã Scheilla, em Ribeirão Pires (SP). www.irmascheilla.org.br.

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