Editorial 142 (Dezembro, 2025): “Características e propriedades do éter, segundo a Codificação Kardequiana (Parte I)”
Fabio Dionisi | fabiodionisi@terra.com.br
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Vinculado ao tema, nossa pesquisa versou sobre as suas características e propriedades.
A respeito do termo “éter”, na obra de Kardec, ele recebeu inúmeras outras denominações. E, para não nos perdermos com isso, anexamos a terminologia encontrada na obra de Kardec, usada como sinônimos de “éter” (Nota 1).
Iniciaremos pela primeira delas, em sua ordem cronológica de publicação: O livro dos Espíritos.
Na Q. 27 está escrito, literalmente, que o fluido universal é matéria; e, com a matéria ele se combina para produzir outras coisas. Também encontramos que ele possui (a) a propriedade de manter a matéria em estado de agregação e (b) à ela conferir as propriedades que a gravidade lhe dá. 1 (p. 82)
O que conhecemos como fluidos elétrico e magnético são derivações do fluido universal; o qual, porém, é mais sutil e perfeito. E que ele, através de combinações, produz tudo o que é material. (Q. 27a) 1 (p. 82)
Outra sua propriedade, pelo menos sob nossa ótica de encarnados, é que ele é imponderável; como consta na Q. 29. Dela, também, tiramos que (a) é deste fluido (imponderável) que se origina a matéria ponderável, e (b) como fora da atração dos mundos não há peso (no cosmo), mas, está repleto deste fluido, conclui-se que a gravidade não atua sobre ele. 1 (p. 83)
Na Q. 33, além de ratificar que existe apenas um fluido elementar (substância primitiva), Kardec vai além, registrando que todas as propriedades dos corpos conhecidos (e ainda desconhecidos) são apenas modificações desse elemento. 1 (p. 84)
Quanto à estas propriedades, Kardec pergunta aos Espíritos se, de fato, a matéria possue duas propriedades essenciais: força e movimento. Eles responderam que sim e que elas não só variam com a intensidade da força e a direção do movimento, mas, também, com a disposição das moléculas. 1 (p. 85)
Nas Q. 34 e Q. 34a, quanto a forma da molécula constituinte do elemento primitivo, veio que ela é constante, ou seja, todo elemento primitivo tem a mesma forma e estrutura molecular. 1 (p. 85)
Mais adiante, encontramos mais uma propriedade. À semelhança do som, que é veiculado através do ar (meio físico), entre os Espíritos, o fluido universal (também matéria) é o veículo da transmissão dos seus pensamentos. (Q. 282) 1 (p. 218)
Observamos, ao caro leitor, que o fluido universal, a que os Espíritos aqui se referem, não é o fluido elementar (fluido primitivo) e sim uma sua derivação, e que, além disso, varia de mundo para mundo.
A bem da verdade, fez-se uso da expressão “fluido universal” para uma faixa ampla; desde a matéria mais elementar possível até o fluido que será a matéria prima dos corpos celestes.
As Q. 94, 188, 282, 288 e 495 ratificam a informação da transmissão dos pensamentos através do fluido universal. 1
No Livro dos médiuns, a primeira que aborda o nosso tema é a Q. 74. Nela encontramos: “VI. Afirmou-se que o fluido universal é a fonte da vida: seria ao mesmo tempo a fonte da inteligência? — “Não, esse fluido só anima a matéria.” 2 (p. 62)
Portanto, o fluido universal é a fonte da vida, pois contém o princípio da vida da matéria. Anima a matéria do perispírito, do corpo físico, das plantas, dos animais, etc. 2 (p. 67)
A Q. 130 estende o conceito: “Essa matéria [elementar única] dá origem a todos os corpos da Natureza. As suas transformações determinam as diversas propriedades dos corpos.” 2 (p. 117)
Na sua próxima obra, sempre em ordem cronológica de publicação, A gênese (cap. VI, it. 7), aprendemos que as forças que presidem a formação da matéria, à partir das transformações que elas (forças) provocam na substância primitiva, que é única (a mesma) em todo o Universo, são ilimitadas. Por isso que as combinações da matéria formada são, também, ilimitadas. 5 (p. 92)
No item 10 (cap. VI), temos que o éter, ou matéria cósmica primitiva, constitui-se na geratriz (que origina) do mundo e dos seres. Em outras palavras, tudo provem deste éter (matéria e seres viventes) 5 (p. 93). Obviamente, excetuando-se o Espírito (LM – Q. 74). 2 (p. 62)
No mesmo item, prosseguindo, os Espíritos ampliam os conceitos: “As forças que presidiram às metamorfoses da matéria são inerentes ao éter; trata-se de leis imutáveis e necessárias que regem o mundo” 5 (p. 93).
Neste mesmo item, encontramos mais material. 5 (p. 93-94)
(A) Forças inerentes ao éter: gravidade, coesão, afinidade, atração, magnetismo, eletricidade, etc. Fazem parte de sua natureza. Elas agem em tudo e em toda a parte; porém, sua ação varia pela simultaneidade ou não, e pela sucessão de forças.
(B) Propriedades do fluido cósmico: (a) forças (gravidade, atração, etc.) e (b) movimentos vibratórios (som, calor, luz, etc.
(C) Uma só substância simples (toda matéria deriva dela) e uma só Lei Universal (todas as forças derivam dela).
Outra característica surpreendente do fluido cósmico é ser eterno e universal (item 11). 5 (p. 93)
A atuação destas forças é espontânea; às vezes em conjunto, outras, sucessivamente.
Sendo inerentes ao fluído cósmico, estas forças atuam em tudo e em toda parte; preparando, dirigindo, conservando e destruindo os mundos (em suas diversas fases de vida), governando os trabalhos realizados pela Natureza. 5 (p. 95)
Esperamos que tenham apreciado, até este ponto.
Muito em breve completaremos este tema, com a segunda parte deste artigo; terminando nossas pesquisas em A gênese, e nas demais obras de Kardec: Revista Espírita 6 , O que é o Espiritismo 7, Obras Póstumas 8, A obsessão 9 e O Espiritismo na sua expressão mais simples (e outros opúsculos de Kardec) 10.
Até lá!
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Nota 1: Seguem alguns exemplos: fluido elementar 1 (Q. 27), matéria cósmica universal 2 (pt II; cap. VIII; Q. 129), elemento primitivo universal 2 (pt II; cap. VIII; Q. 148), éter 5 (p. 110; cap. VI; it. 47), substância simples primitiva 5 (cap. VI; it. 10), matéria cósmica primitiva 5 (cap. VI; it. 10), fluido cósmico etéreo 5 (p. 235; cap. XIV; it. 6), matéria elementar primitiva 5 (p. 232; item 2), elemento primitivo 5 (p. 235); cap. XIV; it. 6), fluido cósmico elementar 5 (p. 235; cap. XIV; it. 6), fluido cósmico universal 5 (cap. VI; it. 15), etc.
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1 KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3. ed. edição comemorativa. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2007.
2 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Ou guia dos médiuns e dos evocadores. Tradução de J. Herculano Pires. 29. ed. São Paulo: Lake, 2014.
3 Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de J. Herculano Pires. 83. ed. São Paulo, SP: Lake, 2020.
4 KARDEC, Allan. O céu e o inferno, ou Justiça Divina segundo o Espiritismo. Tradução de João Teixeira de Paula e J. Herculano Pires. 10. ed. São Paulo, SP: Lake, 2002.
5 KARDEC, Allan. A gênese. Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Tradução de J. Herculano Pires. 16. ed. São Paulo, SP: Lake, 1989.
6 KARDEC, Allan. Revista Espírita. Jornal de estudos psicológicos. Coleção. 1858 a 1869.
(1858 a 1863) Tradução de Salvador Gentile. Araras: Instituto de Difusão Espírita, 1993.
(1964 a 1869) Tradução de Júlio Abreu Filho. São Paulo: Edicel, s/ano.
7 KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. 56. ed. Brasília, DF: FEB, 2024.
8 KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 13 ed. São Paulo, SP: Lake, 2005.
9 KARDEC, Allan. A obsessão. Tradução e prefácio de Wallace Leal V. Rodrigues. 4. ed. Matão, SP: O Clarim,1986.
10 KARDEC, Allan. O Espiritismo na sua expressão mais simples (e outros opúsculos de Kardec). Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2.ed. Brasília: FEB, 2010.
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O autor é editor, articulista, escritor, palestrante, jornalista; responsável pelo CE Recanto de Luz – Pronto Socorro Espiritual Irmã Scheilla, em Ribeirão Pires (SP). www.irmascheilla.org.br.

