Editorial 143 (Janeiro, 2026): “Características e propriedades do éter, segundo a Codificação Kardequiana (Parte II)”
Fabio Dionisi | fabiodionisi@terra.com.br
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Antes de prosseguirmos, sugerimos que releiam, no artigo Parte I, a terminologia encontrada na obra de Kardec.
Até este ponto já havíamos concluído nossas pesquisas nas primeiras obras publicadas por Allan Kardec, e iniciado A gênese; por isso, retomaremos de onde paramos, novamente em seu cap. VI: Uranografia geral, que trata de uma série de comunicações do Espírito Galileu, ditadas na Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863. 1
Após o item 10 (ver Parte I), o próximo é o item 17, que, por sinal, é de riqueza ímpar. 1 (p. 98)
Matéria cósmica primitiva: (a) é a mãe fecunda (capaz de produzir) e primacial (que ocupa o 1º lugar) de todas as coisas; (b) princípio de tudo (o que é formado) e é capaz de produzir todas as coisas materiais, fluídicas e vitais (exceto o Espírito); (c) geratriz (poder criador) eterna; (d) o poder criador é uma propriedade inerente dela; (e) ela não desaparece, tampouco suas propriedades; (f) ela produz novas criações incessantemente; (g) recebe de volta os elementos primários que haviam constituído a matéria (esta, desagrega-se nos elementos primários que a haviam formado).
No espaço sideral encontramos a matéria cósmica primitiva continuamente transformada em matéria cósmica (massa etérea, em maior ou menor grau rarefeita, que permeia os espaços, entre os planetas); mas, o Hálito Divino continua presente em todo o universo 1 (p. 98). Portanto, o fluido cósmico primitivo está em toda parte; concomitantemente ao fluido cósmico criado à partir dele.
A substância primitiva cria o fluido cósmico (não mais primitivo; ou seja, já modificado) que preenche o Universo; mais ou menos rarefeito, subindo modificações, combinações, segundo as regiões. Nela residem as forças universais que presidem todas as transformações necessárias para criar todas as coisas do Universo (fluido cósmico, os elementos materiais, fluídicos e vitais, em todo o Universo). 1 (p. 98)
Inferimos que encontramos, interpenetrados, a matéria cósmica primitiva e o que ela gerou: (a) no espaço sideral, interplanetário: ela e a matéria cósmica, (b) nos orbes: ela e os elementos materiais, fluídicos e vitais.
Outras propriedades do fluido cósmico (item 18): 1 (p. 99)
Ele penetra todos os corpos; ele não só preenche todo o espaço, como penetra tudo o que existe.
Nele reside o princípio vital que dá nascimento à vida dos seres; mas, pode estar em estado latente ou ativo.
Em virtude desse princípio vital universal, o mineral, o vegetal, o animal, etc., sabe adequar as condições de sua existência e de sua duração.
Nos minerais, o éter confere-lhes o princípio vital, assim como o faz nas sementes e embriões. Conforme o mineral, as suas moléculas se agrupam em configurações simétricas, fruto destas propriedades do fluido cósmico.
A matéria cósmica primitiva contém (a) as leis que asseguram a estabilidade dos mundos, e (b) o princípio vital universal.
Este princípio vital dá início as gerações espontâneas, quando, num orbe, existam as condições que permitam que a espécie gerada espontaneamente possa dar continuidade, por si só, à sua multiplicação. Neste momento, surge o período criador que se inicia com a geração espontânea. Ela ocorre, portanto, apenas nos períodos iniciais, quando tudo está propício para que, uma vez criados os primeiros seres, haja a sua multiplicação natural. Na Terra já não ocorre mais a geração espontânea, pois não é mais necessária. 1 (p. 99)
Mister enfatizar: (a) quem provoca a geração espontânea é o fluido cósmico universal (FCU), e (b) nele reside o princípio vital que dá nascimento à vida dos seres… e a perpetua sobre cada globo.
Este princípio da criação ocorre em todo Universo, sempre da mesma forma.
Lembrando que o que acontece na Natureza é expressão da vontade de Deus; e que Ele sempre criou e continuará a criar.
Quanto ao livro A gênese, nossos estudos terminam no cap. XIV, de onde extraímos que temos três estados possíveis do princípio elementar universal (FCU): (a) estado normal primitivo (eterizado ou imponderável), (b) estado intermediário entre o éter e a matéria (ainda imponderável), e (c) estado materializado ou de ponderabilidade. 1 (p. 232-233; it. 2)
Sucessivamente, do seu grau de pureza absoluta, inconcebível para nós, até a formação da matéria tangível.
Agora, vasculharemos a Revista Espírita. 2
(Junho, 1858) Sobre o fluido universal (a substância etérea que envolve os planetas), encontramos que (a) a sua natureza é a de um fluido, semimaterial, e que ele não é a fonte da inteligência (ele apenas anima a matéria). 2 (p. 149-153)
(Novembro, 1861) Temos que, como ele preenche todo o Universo, estando em tudo, ele acaba sendo um meio de ligação entre todos os orbes. 2 (p. 363)
(Março, 1866) Sobre o éter: “Os corpos (…) simples não são senão modificações, transformações de um elemento único, princípio universal designado sob o nome de éter, fluido cósmico ou universal.” 2 (it. 3; p. 71)
“Segundo o modo de agregação das moléculas desse fluido, e sob a influência de circunstâncias particulares, [o éter] adquire propriedades especiais que constituem os corpos simples.” 2 (p. 71)
(Maio, 1866) Kardec lança reflexões oportunas: a de um fluido suficientemente sutil que seja capaz de penetrar todos os corpos, e que cada uma de suas moléculas interaja com cada molécula da matéria, produzindo um efeito. 2 (p. 129)
Obviamente deve tratar-se do fluido cósmico; e no caso da Terra, aquele que nos envolve.
Este fluido não é inteligente, mas seria o meio de contato entre o Criador e sua criatura, e vice versa. 2 (p. 130-131)
(Junho, 1868) O tema versa sobre a formação dos fluidos espirituais, que constituem a atmosfera do Mundo Espiritual, como um dos estados do fluido cósmico. Sendo este fluido espiritual o veículo do pensamento dos Espíritos, que, através do pensamento e da vontade, agem sobre ele para formar coisas. 2 (p. 166-169)
(Setembro, 1868) Nela consta que a matéria retirou do FCU os elementos para se formar, e, depois, ao se desagregar (pelo envelhecimento), retorna ao FCU; já visto em A Gênese. 1 (p. 98)
A próxima obra, em ordem cronológica, seria O que é o Espiritismo 3; mas, nela nada consta sobre o éter.
Nossa pesquisa, portanto, prossegue com Obras Póstumas. 4
O fluido cósmico é emanado de uma fonte universal, uma fonte única, princípio que dá origem à todos fluidos cósmicos que envolvem os orbes. 4 (p. 94)
Como nada consta, sobre o éter, em A obsessão 5 e tampouco em O Espiritismo na sua expressão mais simples (e outros opúsculos de Kardec) 6, assim, esgotamos o tema na obra de Kardec!
Interessante o nível de informação recebida à respeito do éter, já no século XIX!
Como costumamos repetir, é mister estudar sempre!
Fiquem com Deus.
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1 KARDEC, Allan. A gênese. Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Tradução de J. Herculano Pires. 16. ed. São Paulo, SP: Lake, 1989.
2 KARDEC, Allan. Revista Espírita. Jornal de estudos psicológicos. Coleção. 1858 a 1869.
(1858 a 1863) Tradução de Salvador Gentile. Araras: Instituto de Difusão Espírita, 1993.
(1964 a 1869) Tradução de Júlio Abreu Filho. São Paulo: Edicel, s/ano.
3 KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. 56. ed. Brasília, DF: FEB, 2024.
4 KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 13 ed. São Paulo, SP: Lake, 2005.
5 KARDEC, Allan. A obsessão. Tradução e prefácio de Wallace Leal V. Rodrigues. 4. ed. Matão, SP: O Clarim,1986.
6 KARDEC, Allan. O Espiritismo na sua expressão mais simples (e outros opúsculos de Kardec). Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2.ed. Brasília: FEB, 2010.
___________________________________________________________________________ O autor é editor, articulista, escritor, palestrante, jornalista; responsável pelo CE Recanto de Luz – Pronto Socorro Espiritual Irmã Scheilla, em Ribeirão Pire

