EDITORIAL No. 116 (Outubro, 2023) – Hippolyte Léon Denizard Rivail

Editor responsável: Fabio Dionisi
[Fabio Dionisi] fabiodionisi@terra.com.br

Caro leitor, neste mês de outubro comemoramos o nascimento de Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec; no dia 03.10.1804, na cidade de Lyon, França.
Embora de dimensões gigantescas, dentro do Espiritismo, a vida deste incansável trabalhador é pouco conhecida, principalmente a fase que antecede a adoção do pseudônimo Allan Kardec. Se não fosse uma breve biografia de Henri Sausse, pouco encontraríamos escrito…
Em virtude de sua humildade, pouco escreveu sobre si mesmo, ciente do papel secundário que desempenharia junto ao Espírito de Verdade e os demais Espíritos de escol que lhe passaram os elementos para a Codificação da Doutrina Espírita. Preferiu realçar a Doutrina, escondendo-se atrás dela, do que tornar-se mais conhecido além do que fosse inevitável. Tanto que, ao assumir sua missão de responsável pela codificação, literalmente “assassinou” sua fase anterior, abolindo o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail, para adotar o pseudônimo de Allan Kardec.
J. Herculano Pires, no prefácio do livro de André Moreil (Vida e Obra de Allan Kardec), escreve: “Allan Kardec nasceu a 18/04/1857, em Paris. Sua certidão de nascimento não foi passada em cartório, mas impressa nas oficinas do editor Didier e exposta ao público na sua livraria. Cada cidadão que adquiria um volume da nova obra tomava conhecimento da existência de um novo escritor, que surgia do longínquo passado gaulês: o sacerdote druida Allan Kardec, então reintegrado na vida moderna (…). Mas, reintegrado de que maneira? Através da reencarnação, na pessoa do prof. Denizard Hippolyte Léon Rivail que por sua vez nascera em Lyon, no dia 03.10.1804, filho de Jean Baptiste-Antoine Rivail, juiz, e sua esposa Jeanne Duhamel.”
Dessa forma, podemos dividir sua vida em duas fases: A vida do homem registrado civilmente sob o nome de Denizard Hippolyte Léon Rivail e a nova vida, como Allan Kardec, “registrado” nas oficinas do editor Didier.
Como todos os grandes missionários, que tiveram suas vidas divididas em duas fases (Moisés, Francisco de Assis, Aurélio Agostinho, Mahatma Gandhi, etc.), sua primeira fase foi a do preparo. A têmpera do aço, necessária para a preparação do homem que executaria a missão do Homem, na segunda: a de codificar o Espiritismo.
Este primeiro período de Denizard, seu preparo para a segunda fase, pode ser dividido em quatro etapas: Aluno de Pestalozzi (1814–1818); Estudante (1818–1824); Pedagogo (1824–1848); Homem universal (1848–1854). Uma fase de preparação que durou 50 anos…
E, o segundo período, como Allan Kardec, granítica, monolítica, sem subdivisões, que vai de 1854 até sua morte física em 1869; portanto, durando 15 anos. O Homem que, caracterizado pela sua sinceridade, honestidade, responsabilidade intelectual e moral, e trabalhador incansável, executaria, da melhor maneira possível, sua missão aqui na Terra: materializar a 3a Revelação!
Portanto, neste mês, o mínimo que podemos fazer é agradecer! E, de preferência, estudá-lo…
Fiquemos na paz que o Nosso Senhor Jesus nos quis deixar.

O EDITOR

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NOTA SOBRE O QUADRO (ILUSTRAÇÃO DO EDITORIAL):

Por Izabel Vitusso

Após ter sido fundada no final do século 19 por um dos pioneiros do espiritismo na França – Pierre Gaëtan Leymarie –  e sobrevivido às duas grandes guerras, a centenária livraria Leymarie encerrou definitivamente suas portas em dezembro de 2021.

Ela funcionou por mais de 120 anos em uma das ruas mais antigas da cidade de Paris, na margem esquerda do rio Sena, à rue Saint-Jacques. Ao longo das décadas, passou por diferentes proprietários e teve suas atividades paralisadas em alguns períodos, até chegar à sua última gestão com a família Chigot.

Felizmente, antes da entrega do ponto comercial, a pintura a óleo do professor Denisard Hippolyte Léon Rivail, que adornou uma das paredes da livraria por mais de um século, foi adquirida pelo museu AKOL – AllanKardec.online, de São Paulo.

Este importante quadro é parte da história e da memória do espiritismo, trazendo a imagem do professor Kardec em seu ambiente de trabalho. A cena foi imortalizada pelo pintor St. Georges, cuja completa identidade precisa de maiores pesquisas por parte dos experts no assunto.

No último dia 7 de agosto, em evento de comemoração ao 18º ano de existência do Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo – Eduardo Carvalho Monteiro, a obra foi entregue à presidente da casa, Julia Nezu, que recebeu a placa comemorativa das mãos do curador do museu AKOL, Adair Ribeiro Jr., formalizando a doação da pintura ao acervo. 

A pintura, que mede cerca de 1,70 X 1,20 cm, deverá passar por  processo de análise por peritos para identificar a possível data de criação, a identificação completa do artista,  o reconhecimento das técnicas de pintura utilizadas e também ajudar a definir a melhor forma de preservação. 

Todo cuidado será pouco, diante desta rara peça de arte que enriquece o a memória do espiritismo, trazendo cenas que protagonizaram o trabalho de Allan Kardec em sua grande tarefa da codificação.

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